Saúde

Cólera já causou 76 mortes e quase 7 mil novos casos em três províncias do Centro e Norte

Moçambique enfrenta um cenário preocupante com a cólera, que já provocou um total de 76 mortes e quase 7 mil casos em três províncias: Nampula, Cabo Delgado e Tete. As autoridades de saúde destacam que a desinformação e a demora na procura de tratamento continuam a ser os maiores desafios para controlar a doença.

Situação em Nampula

Na província de Nampula, o surto de cólera, ativo desde janeiro, registou 3.138 casos e 36 óbitos, afetando oito dos 23 distritos. O distrito de Nacala Porto é o mais atingido, com 1.677 infeções. Embora a média de novos casos tenha diminuído, o número de mortes continua a ser uma grande preocupação, especialmente porque a maioria ocorre fora das unidades sanitárias. Das 36 mortes, 28 aconteceram nas comunidades, muitas vezes devido ao atraso na procura de cuidados médicos ou ao medo gerado por informações falsas sobre a doença.

Cabo Delgado e a Campanha de Vacinação

Em Cabo Delgado, o surto começou em novembro de 2025, contabilizando 1.006 casos e oito mortes. Os distritos de Metuge, Pemba, Montepuez e Mecúfi são os mais afetados. À semelhança de Nampula, a maioria dos óbitos (seis de oito) ocorreu nas comunidades, sublinhando a necessidade de maior sensibilização. No entanto, uma campanha de vacinação preventiva contra a cólera conseguiu imunizar 436.700 pessoas em Pemba e Metuge, contribuindo para uma redução significativa de casos nas últimas semanas.

Tete: Onde a Cólera se Espalhou

A província de Tete, na zona centro, declarou o surto em setembro de 2025, registando 2.550 casos confirmados e 32 mortes em seis distritos. O surto iniciou na cidade de Tete e espalhou-se por Moatize, Changara, Cahora-Bassa, Tsangano e Marara. Changara lidera com 1.031 casos, seguido pela cidade de Tete (881) e Moatize (539). Cerca de mil doentes necessitaram de internamento hospitalar. Tal como nas outras províncias, grande parte das mortes (25 de 32) ocorreu fora das unidades sanitárias, muitas vezes em zonas remotas e de difícil acesso.

As autoridades sanitárias continuam a apelar à população para que procure os serviços de saúde ao primeiro sinal da doença e ignore a desinformação, que tem sido um fator crucial para o aumento das fatalidades.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo
Fechar

Ops! AdBlock Detectado!

Desative o bloqueador de anúncios para continuar acessando o conteúdo do Portal Afroline. Agradecemos sua compreensão!