DOMINGO DA PÁSCOA: Religiosos apelam à paz e reconciliação genuínas

No Domingo de Páscoa, líderes religiosos moçambicanos lançaram um forte apelo à paz, ao amor e à reconciliação verdadeira entre todos os cidadãos, independentemente das suas crenças, origens ou profissões.

Contexto Nacional e Desafios
A mensagem dos líderes ganha particular relevância num país que enfrenta desafios complexos, como os efeitos devastadores das cheias e inundações, e a persistência do terrorismo em alguns distritos da província de Cabo Delgado. Os religiosos destacaram a necessidade urgente de solidariedade para com os mais necessitados e manifestaram votos de esperança num futuro melhor, vendo na ressurreição de Cristo um símbolo poderoso de renovação e um novo começo para a nação.

A Visão da Igreja Católica
O Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos, explicou que celebrar a Páscoa, que é o mistério central da fé cristã, serve para recordar que Deus faz sempre a passagem da morte à vida, da escuridão à luz e do desespero à esperança. Para ele, “a Páscoa é, antes de tudo, a passagem que Cristo realizou e que cada um de nós é chamado a viver”.
Dom João Carlos comparou os momentos atuais que a sociedade atravessa a uma “Sexta-feira Santa”, descrevendo situações de sofrimento, incerteza e uma crise de valores onde o bem e o mal parecem confundir-se. Mencionou ainda as desigualdades que ferem a dignidade humana, a falta de oportunidades para muitos jovens, a fragilidade da coesão social, a perda de confiança nas instituições e os conflitos que ameaçam a unidade nacional.
No entanto, o Arcebispo sublinhou que a fé pascal ensina que a cruz não é o fim. A Páscoa acontece quando há a coragem de ousar fazer a passagem: transformando a indiferença em solidariedade, a corrupção em integridade, a exclusão em inclusão e o medo em esperança.
Dom João Carlos desejou que todos os moçambicanos — enquanto igreja, sociedade e nação — sejam capazes de fazer esta passagem interior e comunitária, tornando-se um sinal de vida nova nos seus respetivos lugares: seja na família, no trabalho, na comunidade ou na vida pública.
A Perspetiva do Conselho Cristão de Moçambique
Por sua vez, Rodrigues Dambo, presidente do Conselho Cristão de Moçambique (CCM), enfatizou que os cristãos devem aproveitar este tempo litúrgico para promover a paz. Ele destacou a importância do diálogo, do reconhecimento e do respeito pela vida, considerando sempre as diferenças de género, ideológicas e religiosas.
Dambo ligou a guerra e a pobreza à falta de amor, apelando à solidariedade e ao amor mútuo, tal como Cristo amou e aceitou morrer na cruz para salvar a humanidade.



