Moçambique: GNL do Rovuma e investimento ExxonMobil impulsionam país a eixo

Moçambique emerge como um actor proeminente no cenário global do Gás Natural Liquefeito (GNL), com a Bacia do Rovuma a consolidar-se como um pilar estratégico. Uma série de investimentos substanciais e decisões cruciais por parte de gigantes energéticos estão a redefinir o futuro económico do país, prometendo transformá-lo num eixo global de fornecimento de GNL.
Avanço Decisivo na Bacia do Rovuma
A Área 4 da Bacia do Rovuma registou uma transição fundamental, passando da mera expectativa geológica para um compromisso financeiro concreto. A ExxonMobil, após levantar a força maior em Novembro de 2025, reafirmou a sua intenção de alcançar a decisão final de investimento (FID) para o projecto Rovuma LNG em 2026, com a primeira produção de GNL projectada para 2030. Este empreendimento, avaliado em aproximadamente 30 mil milhões de dólares e apoiado por ExxonMobil, Eni e CNPC, reposiciona Moçambique no mapa dos grandes projectos globais de gás natural liquefeito.
Paralelamente, o projecto Coral South, da Eni, já se encontra em operação, exportando GNL para a Europa desde Novembro de 2022. Em Outubro de 2025, a Eni e os seus parceiros aprovaram o Coral North, uma nova unidade flutuante de GNL (FLNG) orçada em 7,2 mil milhões de dólares, com previsão de produção de 3,55 milhões de toneladas anuais a partir do segundo semestre de 2028. Estes projectos encadeados demonstram a viabilidade técnica e comercial do gás moçambicano, reforçando a confiança do mercado e expandindo a capacidade de produção total do país para mais de 7 milhões de toneladas anuais.
O regresso da TotalEnergies ao projecto de Afungi, anunciado em Janeiro de 2026, é outro sinal robusto da resiliência do sector. Este projecto, estimado em 20 mil milhões de dólares e considerado o maior investimento directo estrangeiro em África, prevê a produção de 13 milhões de toneladas de GNL por ano, com início das entregas em 2029. A segurança em Cabo Delgado, que havia suspendido as operações, demonstrou ser uma variável financeira crítica, e a melhoria das condições impulsionou a retoma, com um impacto positivo em toda a Bacia do Rovuma.
O Contexto do Mercado Global e os Desafios Internos
A narrativa moçambicana do gás insere-se num contexto de mercado europeu que continua a procurar diversificação de fontes e níveis de armazenamento estáveis. A União Europeia avança com uma agenda de “de-risking” e diversificação de cadeias de abastecimento. Embora o mercado global de GNL permaneça equilibrado em 2026, com a procura asiática em recuperação, Moçambique encontra-se numa posição geográfica estratégica para responder a estas necessidades, exigindo, contudo, competitividade e disciplina contratual.
O verdadeiro desafio para Moçambique não reside apenas na extracção do gás, mas na sua conversão em desenvolvimento económico sustentável. É fundamental que os megaprojectos de GNL gerem uma cascata de valor que beneficie a economia interna através do conteúdo local robusto, formação técnica, serviços marítimos, manutenção industrial, transporte, construção, seguros, finanças e subcontratação nacional. A disciplina fiscal e a transparência na gestão das receitas são cruciais para que os lucros sejam reinvestidos em infraestruturas produtivas e não absorvidos por despesas correntes.
A segurança em Cabo Delgado continua a ser uma variável determinante para a confiança dos investidores e a sustentabilidade dos projectos. A insurgência, embora mitigada, exige protecção permanente, coordenação militar e respostas sociais e económicas integradas para as comunidades locais. A capacidade do Estado em manter o território funcional, garantir a segurança dos trabalhadores e integrar a população na economia formal é essencial para o sucesso a longo prazo dos investimentos.
Em suma, a Bacia do Rovuma e a retoma dos projectos em Afungi representam um teste de maturidade económica para Moçambique. O país tem a oportunidade de transformar as suas vastas reservas de gás em um motor de crescimento, desde que consiga implementar uma governança sólida, promover o conteúdo local, garantir a estabilidade territorial e gerir as receitas de forma transparente e produtiva. Se estes desafios forem superados, o gás de Moçambique poderá ser convertido em estradas, escolas, portos, fábricas, empregos e um futuro próspero para a nação.



