Maputo Garante Apoio e Trasladação de Vítimas de Xenofobia na África do Sul

O Governo moçambicano intensificou a assistência aos seus cidadãos na África do Sul, na sequência de uma missão de alto nível que confirmou a persistência de sentimentos e manifestações anti-imigração. Esta iniciativa visa proteger os moçambicanos afetados pela recente onda de violência e hostilidade, garantindo o apoio necessário e a segurança das comunidades.
Reforço da Proteção e Apoio Humanitário
A missão governamental, liderada pela Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Maria de Fátima Simão Manso, concluiu com importantes entendimentos entre Maputo e Pretória. As autoridades sul-africanas comprometeram-se a prestar assistência humanitária e apoio logístico aos cidadãos moçambicanos que optarem por regressar voluntariamente ao país. Apesar dos relatos de intimidação e discursos hostis, Pretória garantiu que não foi emitida qualquer ordem oficial para a saída de estrangeiros, reafirmando o compromisso com a segurança de todos os residentes, embora mantenha a fiscalização de migrantes em situação irregular.
Tragédia e Compromisso com as Vítimas
A delegação moçambicana acompanhou de perto a situação das vítimas mortais. Seis cidadãos moçambicanos perderam a vida em Mossel Bay, e o Governo de Moçambique assumiu integralmente os custos de trasladação, com um corpo já repatriado e os restantes cinco em processo. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) manifestou disponibilidade para apoiar os mais vulneráveis, como mulheres, recém-nascidos e crianças, em caso de regressos voluntários significativos.
Desafios da Migração e Medidas Futuras
A migração entre Moçambique e África do Sul é um fenómeno histórico, com milhares de moçambicanos a procurar oportunidades no país vizinho. Esta dependência económica torna as comunidades moçambicanas particularmente vulneráveis a episódios de xenofobia. Para mitigar esta situação, o Governo moçambicano anunciou uma campanha nacional de registo de nascimento e emissão de Bilhetes de Identidade, a iniciar em agosto. A iniciativa, parte do projeto EDGE, visa combater a falta de documentação, um fator chave de vulnerabilidade que limita o acesso a direitos e a proteção consular.
Apesar dos compromissos sul-africanos, a missão moçambicana constatou que as manifestações anti-imigração persistem em algumas regiões. Por isso, o Alto-Comissariado e os consulados de Moçambique na África do Sul manterão um acompanhamento constante da situação, em coordenação com líderes comunitários, sublinhando a necessidade de vigilância e cooperação contínua entre os dois estados face a uma crise cíclica que afeta milhares de famílias moçambicanas.



