Meta e Alphabet pagam três milhões de dólares por causar vícios aos utilizadores de suas plataformas

As empresas tecnológicas Meta e Alphabet, responsáveis por gigantes como Facebook, Instagram, WhatsApp, Google e YouTube, foram recentemente condenadas por um tribunal em Los Angeles, Califórnia, num caso que as acusava de criar plataformas que induzem vício nos seus utilizadores. Este veredito resultou numa indemnização substancial para uma jovem que alegou ter desenvolvido dependência.

O Caso da Jovem Kaley
Kaley, uma jovem de 20 anos, foi o centro deste processo judicial, tendo recebido três milhões de dólares. Ela argumentou que as plataformas da Meta e da Alphabet foram intencionalmente desenhadas para viciar os utilizadores. Kaley começou a usar o YouTube aos seis anos e o Instagram aos nove, desenvolvendo uma dependência que, segundo ela, agravou a sua saúde mental.

Durante o julgamento, que durou nove dias, foram ouvidos depoimentos importantes, incluindo o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e o chefe do Instagram, Adam Mosseri. No entanto, o Director Executivo do YouTube, Neal Mohan, não foi chamado a depor.
Alegações e Defesas das Empresas
A defesa de Kaley sustentou que as gigantes das redes sociais empregaram recursos específicos para atrair e “fisgar” utilizadores jovens, como notificações persistentes e a reprodução automática de conteúdos.
A Meta, por sua vez, defendeu-se alegando que Kaley possuía problemas de saúde mental que eram independentes do uso das redes sociais, frequentemente apontando para a sua vida familiar conturbada.
A Alphabet, através do YouTube, adoptou uma estratégia diferente, focando menos no histórico médico de Kaley e mais no seu padrão de uso da plataforma. A empresa argumentou que o YouTube é uma plataforma de vídeos, semelhante à televisão, e não uma rede social, e destacou que o uso de Kaley diminuiu à medida que ela envelhecia, com uma média de cerca de um minuto por dia no YouTube Shorts desde o seu lançamento.
Implicações Mais Amplas
Este caso segue-se a outros processos semelhantes. Anteriormente, as empresas Snap (Snapchat) e TikTok também haviam sido citadas no mesmo processo, mas chegaram a acordos extrajudiciais não divulgados com a parte acusadora antes do início do julgamento. O veredito contra Meta e Alphabet sublinha uma crescente pressão legal e pública sobre as empresas de tecnologia para que assumam responsabilidade pelos impactos das suas plataformas na saúde e bem-estar dos seus utilizadores, especialmente os mais jovens.



