ANAPRO denuncia ameaças de morte e “instrumentalização” do ensino

A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) de Moçambique lançou duras acusações contra o Governo, denunciando a “instrumentalização” do sector da educação para fins políticos e revelando ameaças de morte contra os seus coordenadores regionais, um cenário que, segundo a organização, visa fragilizar a classe docente e comprometer o futuro do ensino no país.

Acusações de Instrumentalização Política
Em declarações recentes à MBC TV, o vice-presidente da ANAPRO, Marcos Mulima, afirmou que o Executivo moçambicano está a usar o sistema de ensino como uma ferramenta política. Segundo a ANAPRO, esta estratégia visa enfraquecer os professores, desmotivando-os e, consequentemente, prejudicando a qualidade da educação pública a longo prazo. A organização defende que a educação deve ser um pilar de isenção e progresso, e não um instrumento de manobra política.

Ameaças de Morte a Coordenadores
Um dos pontos mais preocupantes da denúncia da ANAPRO são as alegadas ameaças de morte dirigidas a Arnaut Naharipo, coordenador regional da ANAPRO para a zona Norte, baseado na província de Nampula. Marcos Mulima revelou que estas ameaças são atribuídas a indivíduos supostamente ligados a esferas do poder, com o objetivo claro de coagir os líderes associativos e travar a contestação que tem sido levantada no sector, especialmente no que toca às condições de trabalho e à valorização da carreira docente.
Impacto no Futuro da Educação Moçambicana
A ANAPRO sublinha que a instabilidade e a alegada “fragilização da classe” docente não afetam apenas os professores. O cenário de desmotivação generalizada tem um impacto direto na qualidade do ensino e, consequentemente, no desenvolvimento sustentável do país e no futuro das próximas gerações de moçambicanos.
Até ao momento, o Ministério da Educação e Cultura não se pronunciou oficialmente sobre estas graves acusações de instrumentalização política do ensino, nem sobre as ameaças de morte reportadas pela ANAPRO.



