Produtores reclamam pagamentos na Açucareira de Xinavane

Agricultores que fornecem cana-de-açúcar à Açucareira de Xinavane, no distrito da Manhiça, província de Maputo, encontram-se num impasse com a empresa Tongaat Hulett. O conflito surge devido a atrasos significativos nos pagamentos pela sua produção, uma situação que está a gerar grande revolta entre os produtores locais.

Os camponeses afirmam que não recebem os valores devidos desde Setembro do ano passado e que a empresa não fornece qualquer previsão sobre quando os pagamentos serão regularizados. Para agravar a situação, um valor correspondente a 15 por cento do pagamento das campanhas de 2024 e 2025 ainda está em dívida. Embora a retenção desta percentagem seja uma prática normal para mitigar oscilações de preço no mercado do açúcar, o montante deveria ter sido devolvido aos produtores na campanha seguinte, o que não acontece desde 2024.

Outra preocupação central é a falta de transparência no preço da cana-de-açúcar. Os mais de 200 agricultores envolvidos não sabem qual será o valor por tonelada da mercadoria que fornecem à empresa, um problema persistente que ninguém consegue explicar ou resolver.
Agricultores Sentem-se Desvalorizados e em Apuros
Durante um encontro com o secretário de Estado em Maputo, Henriques Bongece, os agricultores expressaram o seu sentimento de desvalorização e exclusão por parte da empresa. Esta problemática é do conhecimento do governo local, que já tentou intervir e prestar assessoria no passado, mas sem sucesso.
O desespero dos produtores é visível, especialmente porque necessitam urgentemente dos fundos para reabilitar as suas machambas, que foram severamente danificadas pelas recentes cheias. João Kongolo, um dos agricultores afetados, exemplifica a situação, referindo que entregou 150 toneladas em Outubro do ano passado e, até hoje, não tem informações sobre o pagamento.
Kongolo relata que, ao procurar respostas, foi informado que a empresa não dispunha de dinheiro em caixa para efetuar os pagamentos e que deveria aguardar. Aflito com a situação, ele apela ao Governo para que conceda um financiamento que lhes permita reiniciar as suas atividades agrícolas e recuperar das perdas.



