Economia

Banco de Moçambique antecipa reunião do Comité de Política Monetária para 23 de Março

O Banco de Moçambique (BdM) decidiu mudar a data da sua próxima reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), antecipando-a para 23 de Março, uma semana antes do previsto inicialmente. A decisão, comunicada através de uma nota oficial sem explicações detalhadas, capta a atenção por ocorrer num período de incerteza económica e de importantes avaliações sobre a política monetária do país.

O Comité de Política Monetária é o órgão máximo do Banco de Moçambique responsável por gerir e implementar a política monetária do país. É composto pelo Governador, Vice-Governador e Administradores, e reúne-se bimestralmente para decidir sobre a taxa de juro de referência, conhecida como taxa MIMO (Mercado Monetário Interbancário de Moçambique).

Na sua última reunião, o CPMO anunciou uma redução da taxa MIMO de 9,50% para 9,25%. Esta foi a 12ª descida consecutiva desde o início do ciclo de flexibilização em Janeiro de 2024, sustentada pela expectativa de manutenção da inflação em níveis baixos a médio prazo.

Inflação sob Controlo, mas Riscos Persistem

Apesar de desafios como possíveis inundações, tensões geopolíticas e atrasos no pagamento da dívida pública interna, o BdM avalia que a inflação continua controlada. O Governador Rogério Zandamela destacou que a inflação anual em Dezembro de 2025 foi de 3,2%, uma descida face aos 4,4% de Novembro, refletindo a estabilidade do metical e a moderação dos preços internacionais.

Contudo, o Governador Zandamela alertou que o ciclo de descida das taxas de juro, iniciado em 2024, está a chegar ao fim. O atual cenário de riscos e incertezas, especialmente devido às cheias e inundações recentes no país, poderá limitar novas reduções da taxa MIMO nos próximos meses. “Estamos próximos do fim do ciclo de flexibilização da política monetária”, afirmou Zandamela.

Paralelamente, o endividamento público interno continua a ser uma preocupação, exercendo pressão sobre o sistema financeiro moçambicano. Dados do BdM revelam que a dívida interna atingiu 7,6 mil milhões de dólares, um aumento significativo de 174 milhões de dólares em relação a Dezembro de 2025. Os atrasos nos pagamentos de obrigações por parte do Estado também afetam a liquidez do mercado e mantêm as taxas de juro interbancárias elevadas, desincentivando a procura por títulos públicos.

Rogério Zandamela reafirmou que a política monetária do BdM permanecerá cautelosa e prudente, adaptando-se à evolução dos riscos e incertezas que possam impactar as perspetivas da inflação e a estabilidade macroeconómica do país. Os efeitos das inundações na cadeia logística e na oferta de bens, o ritmo de reposição da capacidade produtiva, bem como a questão dos atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado, são fatores cruciais a serem monitorizados no curto e médio prazo.

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