Economia

Economia cresceu apenas 0,5% em 2025 sob pressão de financiamento externo negativo

A economia de Moçambique registou um crescimento modesto de apenas 0,5% em 2025, um cenário preocupante que o Fundo Monetário Internacional (FMI) atribui às crescentes dificuldades que o Governo enfrenta para conseguir financiamento externo.

De acordo com o FMI, o Executivo moçambicano viu-se obrigado a fazer cortes significativos nas despesas com bens, serviços e investimentos em projetos de capital durante 2025. Esta medida drástica foi uma resposta direta à escassez de financiamento externo líquido, que se tornou negativo, exercendo uma forte pressão sobre as contas públicas do país.

Um Cenário Económico Complexo

As conclusões da consulta ao abrigo do Artigo IV do FMI indicam que, embora o défice orçamental tenha sido reduzido para 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 – uma melhoria em relação aos 6,2% do ano anterior –, esta redução deveu-se principalmente à contenção de gastos e não a um crescimento robusto. Moçambique continua a navegar num ambiente macroeconómico complicado, caracterizado por um crescimento lento, fragilidades orçamentais e da dívida pública, e uma diminuição contínua da ajuda externa.

O relatório do FMI reconhece que a atividade económica está a recuperar gradualmente, após uma quebra sentida no final de 2024, ligada aos momentos de instabilidade pós-eleitoral. Contudo, os desafios estruturais permanecem elevados. Apesar de pontos positivos como a baixa inflação e a saída de Moçambique da lista cinzenta do GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional), os encargos com juros estão a aumentar e o financiamento através da banca nacional mostra-se estagnado, dificultando a recuperação plena.

Reformas Urgentes para a Estabilidade

Para mudar esta trajetória e garantir a sustentabilidade económica, os diretores do FMI enfatizam a necessidade urgente de um pacote de reformas abrangente. Entre as recomendações cruciais para restaurar a estabilidade macroeconómica, destacam-se a consolidação fiscal (controlo das contas públicas) de forma credível, a contenção da massa salarial (custos com vencimentos dos funcionários públicos) e o alargamento da base tributária (aumentar o número de contribuintes e a variedade de impostos).

Estas medidas são vistas como essenciais para assegurar que a dívida pública seja sustentável a longo prazo e, ao mesmo tempo, proteger os grupos sociais mais vulneráveis do impacto das reformas. O FMI sublinha que um compromisso firme com estas mudanças é fundamental para que Moçambique consiga um crescimento económico mais sólido e inclusivo.

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