Produtos africanos incluindo os de Moçambique, com acesso livre ao mercado chinês

A partir de maio do ano corrente, Moçambique e outros 52 países africanos verão os seus produtos de exportação beneficiar de isenção total de impostos no vasto mercado chinês. Esta medida histórica visa impulsionar o comércio entre a China e o continente africano, abrindo portas para novas e significativas oportunidades económicas.

Abertura de Mercado e Implicações
A decisão da China de aplicar tarifas zero às importações de 53 nações africanas é uma clara demonstração do seu compromisso em fortalecer as relações comerciais e a cooperação económica com a África. Esta iniciativa surge num contexto global de incertezas, incluindo a renovação da Lei Africana de Crescimento e Oportunidades (AGOA) dos Estados Unidos e as contínuas tensões comerciais entre países africanos e a União Europeia (UE) em relação aos Acordos de Parceria Económica.

Segundo fontes como o Business Insider Africa, esta medida é o resultado de um envolvimento diplomático contínuo e proativo por parte dos líderes africanos. Além da isenção tarifária, o governo chinês planeia intensificar as negociações e a assinatura de acordos de parceria económica conjunta, visando consolidar a cooperação bilateral e criar um ambiente comercial ainda mais favorável.
Estratégias Chinesas e Oportunidades para África
Pequim também pretende expandir o acesso de produtos africanos ao seu mercado interno através de mecanismos aprimorados, como o chamado “canal verde”. Esta ferramenta foi concebida para facilitar e agilizar os processos de exportação, com o objetivo de aumentar a presença de mercadorias africanas na segunda maior economia do mundo. Esta iniciativa reforça a estratégia chinesa de aprofundar as suas relações comerciais com África, uma região que tem vindo a ganhar crescente relevância nas cadeias globais de suprimentos e no comércio internacional.
A medida representa uma oportunidade significativa para os exportadores africanos, incluindo os moçambicanos, que poderão agora ampliar a sua participação no mercado chinês sem a barreira das taxas de importação. É importante notar que o único país não incluído nesta isenção é Eswatini, uma pequena nação sem saída para o mar que não mantém relações diplomáticas oficiais com Pequim.
O Crescimento do Comércio e Investimento Chinês em África
Um dos principais motivos por trás desta decisão do governo chinês é o volume crescente do comércio com o continente africano. Em 2024, este comércio atingiu a impressionante marca de 2.1 trilhões de yuans, com as indústrias da agricultura e infraestruturas a serem os principais motores desta parceria comercial.
Nas últimas décadas, a China estabeleceu uma presença significativa em África, com investimentos concentrados principalmente em infraestruturas logísticas. O país asiático detém controlo ou participação em aproximadamente um terço dos portos do continente africano, onde as suas empresas estatais financiam, constroem ou operam instalações. Um relatório do Centro Africano de Estudos Estratégicos (CAEE), divulgado em março de 2025, indica que a China tem presença em 78 das 231 instalações portuárias existentes no continente, o que corresponde a cerca de 33.7% da infraestrutura portuária africana.



