Produtores de Frangos usam anti retrovirais como vitamina em Tete

Uma investigação recente na província de Tete revelou uma prática chocante e perigosa: alguns produtores de frangos estão a usar medicamentos antirretrovirais (ARVs), destinados a pacientes com HIV, como se fossem vitaminas para acelerar o crescimento das aves.

A Descoberta da Galamukani
A organização Galamukani foi a responsável por esta descoberta alarmante. Isaias dos Anjos, um dos seus pesquisadores, tornou a informação pública, detalhando como os ARVs estão a ser desviados do Sistema Nacional de Saúde. Segundo a investigação, profissionais de saúde estariam a vender estes fármacos de forma ilícita a produtores de frangos.
O esquema é simples, mas grave: cada frasco de ARVs é comercializado entre 160 e 250 meticais. Noutros casos, os medicamentos são trocados diretamente por frangos. “O roubo e a venda ilícita de medicamentos do Estado estão a tornar-se uma situação dramática”, alertou o pesquisador, sublinhando a gravidade do problema.
Profissionais de Saúde Confirmam Desvio
A Galamukani conseguiu conversar com dois profissionais de saúde que confirmaram o desvio dos medicamentos e o seu uso na avicultura. Estes especialistas reconheceram o impacto devastador desta prática, que não só prejudica os pacientes que dependem dos ARVs, privando-os de tratamentos essenciais, como também representa um risco sério para a saúde pública.
Riscos para a Saúde Pública e Apelo às Autoridades
O uso de ARVs em animais não é apenas um crime, mas também compromete seriamente a eficácia do tratamento para pessoas que vivem com HIV, podendo levar ao desenvolvimento de resistências aos medicamentos. Além disso, há um potencial risco para os consumidores de frangos, embora as implicações exatas ainda necessitem de mais estudos.
Face a esta situação, a Galamukani exige uma intervenção imediata e urgente das autoridades competentes. O objetivo é travar este esquema ilegal e responsabilizar todos os envolvidos no desvio e uso indevido de medicamentos que são cruciais para a vida de muitos moçambicanos.



