Renamo acusa António Muchanga de tentar promover a sua imagem às custas do partido

A Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, liderada por Ossufo Momade, reagiu com veemência esta quarta-feira à providência cautelar interposta por António Muchanga. O ex-deputado pretende anular a sua suspensão da formação política, mas a direcção da Renamo classifica a atitude como uma “autopromoção inglória” e defende que os problemas internos devem ser resolvidos dentro do partido.

Críticas à Acção Judicial
José Manteigas, presidente da Mesa do Conselho Nacional da Renamo, foi o porta-voz da posição do partido, classificando a acção de António Muchanga como uma “posição inglória”. Segundo Manteigas, “os problemas internos da organização devem ser resolvidos dentro da família política, e não nas instâncias judiciais”.

O dirigente, citado numa publicação do Jornal Evidências, argumentou que a iniciativa de Muchanga de levar o partido ao tribunal constitui uma clara violação das normas de convivência interna. Manteigas sublinhou que a Renamo possui deliberações explícitas sobre como gerir desentendimentos entre os seus membros, privilegiando sempre o diálogo interno.
“Não é para ir à praça pública e, muito menos, ir ao tribunal, porque não é o tribunal que vai decidir como é que a Renamo deve autogovernar-se”, afirmou Manteigas, reforçando a ideia de que a soberania do partido na resolução dos seus assuntos internos é fundamental.
Acusação de Autopromoção
Na mesma publicação, a Renamo acusou Muchanga de tentar promover a sua imagem às custas da organização. José Manteigas lembrou que a relevância política de António Muchanga é diretamente ligada à sigla partidária que ele agora contesta judicialmente.
“Muchanga não está acima do partido, nem muito menos acima dos estatutos da Renamo. Portanto, eu acho que é uma tentativa inglória de querer fazer uma autopromoção, porque se ele hoje é o Muchanga que é, como político, é graças à Renamo, então não pode cuspir no prato onde ele comeu”, declarou Manteigas, utilizando uma expressão popular para enfatizar a ingratidão percebida.
O líder do Conselho Nacional reiterou a importância da resolução interna de conflitos: “Não é o tribunal que vai resolver os problemas da Renamo, somos nós, como irmãos. Internamente estamos a trabalhar para que este desencontro de pontos de vista seja ultrapassado”, concluiu, apelando à união e ao diálogo para superar as divergências.



