Conferência “Mulheres nas Finanças” debate inclusão financeira das mulheres em Moçambique

A capital moçambicana, Maputo, foi recentemente o cenário da segunda conferência “Mulheres nas Finanças”, um evento de grande relevância que promoveu a reflexão e a partilha sobre os desafios e as oportunidades inerentes à inclusão financeira feminina. A discussão centrou-se, em particular, na importância estratégica dos dados e das tecnologias digitais para impulsionar este processo.
Organizado pela FSDMoç em parceria com o Banco Mundial, sob o lema “Partilhe Dados e Conquiste a Inclusão: Promover a Inclusão Financeira das Mulheres Através do Empoderamento Digital”, o encontro reuniu figuras proeminentes do sector financeiro, representantes de entidades públicas e especialistas. O objectivo primordial foi o de debater e encontrar soluções financeiras que sejam mais inclusivas e sustentáveis para as mulheres moçambicanas.
Desafios Estruturais e a Liderança Feminina
Durante a conferência, a Directora Executiva da FSDMoç, Dra. Esselina Macome, sublinhou os desafios estruturais que ainda persistem na inclusão económica das mulheres. Apesar dos progressos notáveis, a participação feminina em cargos de liderança continua a ser um ponto crítico. “Por exemplo, apenas 16% das mulheres estão nos conselhos de administração e 20% nas comissões executivas. É um avanço, mas ainda há trabalho a ser feito. A inclusão financeira das mulheres não é apenas uma questão de equidade, mas uma condição essencial para o desenvolvimento económico e sustentável do nosso País”, afirmou a Dra. Macome.
Acesso ao Crédito: Um Fosso Persistente
A necessidade de uma abordagem mais intencional no acesso ao crédito foi um dos pontos altos do evento. Bernardo Aparício, Administrador-Delegado do Standard Bank, apresentou dados que ilustram a disparidade entre a utilização de serviços financeiros pelas mulheres e o seu acesso efectivo ao financiamento. “Entre os nossos clientes activos, a representatividade feminina situa-se nos 48%, aproximando-se da paridade, mas apenas 22% do crédito é concedido a mulheres. Este é provavelmente o dado mais importante, uma vez que o acesso ao financiamento continua a ser um dos principais factores que condicionam a participação económica feminina”, salientou Aparício, evidenciando o fosso existente no sistema financeiro.
Exclusão em Zonas Rurais e Prioridade Nacional
A Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, que presidiu à sessão de abertura, destacou a magnitude do desafio da inclusão financeira no País, com particular ênfase nas zonas rurais. “Em Moçambique, 64% das mulheres continuam excluídas dos serviços financeiros formais. Nas zonas rurais, apenas 9% têm acesso à internet e somente 3,1% têm acesso a um computador. Isto não é apenas um desafio social, mas um desafio económico estrutural”, observou a Ministra. Ivete Alane reforçou que a inclusão financeira das mulheres é uma prioridade nacional, pois “incluir mulheres no sistema financeiro não é assistência, mas crescimento económico inteligente”.
Colaboração para um Futuro Mais Inclusivo
A conferência reiterou a importância vital da colaboração entre os diversos actores do ecossistema financeiro e institucional. Este esforço conjunto visa a construção de soluções robustas que promovam uma maior inclusão, equidade e participação económica das mulheres em Moçambique, reconhecendo-as como uma força económica central para o progresso do País.



