Adriano Nuvunga ataca pagamento de 701 milhões ao FMI: “Decisão irresponsável”

O Professor Adriano Nuvunga, diretor do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), expressou no passado sábado a sua forte indignação perante a recente decisão do Governo moçambicano de desembolsar 701 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI), numa altura em que o país atravessa uma crise de divisas sem precedentes. Nuvunga classificou a ação como uma “decisão irresponsável” e uma “ofensiva” contra a população.

Para o ativista e académico, este pagamento, efetuado enquanto empresas locais lutam para importar bens essenciais e funcionários públicos enfrentam atrasos nos salários, vai além de uma questão técnica. Segundo Nuvunga, a medida asfixia ainda mais o mercado e demonstra uma inversão total de prioridades, onde os Moçambicanos continuam a pagar por dívidas geradas por elites políticas, através da austeridade e da falta de oportunidades.

O Impacto na Economia e na Sociedade
Nuvunga argumenta que, ao retirar recursos vitais da economia para cumprir a dívida externa, o Estado negligencia os serviços públicos básicos, que se degradam a cada dia. A carta aberta endereçada ao Representante Residente do FMI em Moçambique levanta sérias questões sobre a postura da instituição, questionando onde estava o Fundo quando esta decisão foi tomada e se o seu apoio a tal medida, num cenário de crise cambial, não retira toda a relevância à sua supervisão no país.
O documento destaca que a asfixia económica é uma realidade, com o mercado estrangulado pela falta de dólares. A crise social agrava-se, pois o pagamento penaliza diretamente o cidadão ao limitar a capacidade do Estado de garantir emprego e dignidade. Nuvunga sublinha que o FMI não tem uma necessidade urgente deste dinheiro, que se encontra “parado numa conta em Washington”, enquanto Moçambique vive uma emergência financeira.
Esta forte reação surge num contexto de tensão, onde o Ministério das Finanças defende a disciplina fiscal, mas a sociedade civil, através de vozes como a de Nuvunga, considera a gestão como uma injustiça económica imposta ao povo. Até ao momento, a representação do FMI em Maputo não se pronunciou sobre o teor da missiva.



