Saúde

Lançado Plano Nacional de Adaptação do Sector da Saúde às Mudanças Climáticas

Moçambique deu um passo importante na luta contra os impactos das mudanças climáticas na saúde pública, ao lançar o Plano Nacional de Adaptação do Sector da Saúde às Mudanças Climáticas (PNAS-MC) para o período de 2026 a 2030. O instrumento foi apresentado recentemente em Maputo pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse.

Este documento estratégico, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde (INS) em colaboração com o Ministério da Saúde, visa fortalecer a capacidade do país para lidar com os desafios climáticos. O seu principal objetivo é reduzir a vulnerabilidade da população, construir resiliência no sistema de saúde e assegurar que as questões de saúde estejam integradas nas políticas climáticas nacionais.

O Ministro Ussene Isse expressou grande satisfação, destacando que o plano foi inteiramente concebido por moçambicanos, o que representa um marco significativo. Moçambique torna-se o nono país africano a ter um plano similar, evidenciando o compromisso em proteger a saúde dos cidadãos dos efeitos das alterações climáticas. Isse adiantou ainda que, este ano, será lançado um Roteiro de Investimento Estratégico em Clima e Saúde, que detalhará as necessidades financeiras e as oportunidades de investimento para tornar o sistema de saúde mais robusto.

A Importância da Resiliência Climática

Vicente Joaquim, Secretário de Estado da Cidade de Maputo, sublinhou que as mudanças climáticas já não são uma ameaça distante, mas uma realidade que afeta diretamente a saúde das comunidades. Para ele, o PNAS-MC é crucial para um sistema de saúde mais preparado e capaz de responder a estes desafios.

O Representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), Von Xylender, reforçou que o lançamento do plano vai além de um ato técnico; é um compromisso moral e político com as gerações atuais e futuras. Ele destacou que o plano moçambicano incorpora os oito blocos fundamentais de resiliência identificados pela OMS, demonstrando a seriedade do país em construir um setor de saúde forte e adaptável.

Estrutura e Investimentos

Tatiana Marrufo, Coordenadora do Programa de Saúde e Ambiente no INS, revelou que o PNAS-MC está estruturado em quatro pilares e prevê 45 ações de adaptação climática. O orçamento estimado para a implementação destas ações é de 235 milhões de dólares.

Entre as ações prioritárias estão o reforço da gestão de crises climáticas na saúde, a melhoria dos sistemas de aviso prévio de doenças, a modernização de infraestruturas de saúde, a capacitação de profissionais e o asseguramento da continuidade dos serviços durante eventos climáticos extremos, bem como a captação de financiamento climático para a saúde.

O Papel dos Parceiros e o Impacto nas Crianças

Maaike Arts, Representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), notou que o lançamento ocorre num período desafiador para Moçambique, que tem enfrentado cheias e ciclones que afetam severamente as populações, em particular as crianças. Ela enfatizou que as crianças, sendo as menos responsáveis pelas mudanças climáticas, são as mais vulneráveis e devem estar no centro de qualquer estratégia de adaptação.

Melissa Rodrigues, do Fundo Global, elogiou a forte liderança nacional demonstrada pelo plano. Ela anunciou que o Fundo Global está a investir 9.5 milhões de dólares adicionais, através do Fundo Catalítico para Saúde e Clima, para fortalecer o sistema de saúde moçambicano e torná-lo mais resiliente.

Este plano representa um esforço concertado para salvaguardar a saúde da população moçambicana face a um futuro incerto moldado pelas mudanças climáticas.

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