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Irão lança farpas para Trump e nega acordo. “Estás a negociar contigo mesmo?”

O Irão reagiu com veemência às declarações do então Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmava estar a negociar um acordo com Teerão, lançando farpas e negando qualquer entendimento. O Exército iraniano rejeitou categoricamente as alegações, classificando-as como falsas e sugerindo que qualquer suposto acordo seria, na verdade, uma “derrota” para Washington.

A Rejeição Iraniana e a Retórica Firme

Num comunicado divulgado pela agência Tasnim, ligada à Guarda da Revolução Islâmica, o porta-voz do Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, coronel Ebrahim Zolfaghari, foi direto: “Não chames de acordo à tua derrota. A era das tuas promessas terminou.” A mensagem iraniana sugeriu que as afirmações de Trump poderiam ser fruto de “conflitos internos”, questionando se o líder norte-americano estaria a “negociar consigo mesmo”.

A postura iraniana foi além da negação, com o Exército a advertir que o preço do petróleo não voltaria ao normal enquanto as Forças Armadas iranianas não “garantissem a estabilidade da região”. Esta declaração sublinhou a importância estratégica do Irão no controlo dos recursos energéticos e na segurança do Médio Oriente.

As Alegações de Trump e a Realidade dos Contactos

Anteriormente, Donald Trump havia manifestado confiança de que um acordo seria alcançado com Teerão, alegando que havia ocorrido “uma mudança no regime” e que representantes iranianos teriam concordado em não desenvolver armas nucleares. O antigo Presidente norte-americano chegou a mencionar um “grande presente” relacionado com o estratégico Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo.

Contudo, o Irão reconheceu apenas ter tido “contactos indiretos” com a Casa Branca, rejeitando categoricamente qualquer ideia de negociação formal ou acordo. A insistência iraniana era que a sua “vontade” deveria prevalecer e que “ninguém como nós chegará a um acordo com alguém como vocês”, reforçando a sua posição de não ceder.

Escalada Militar e Propostas de Paz

Numa altura de grande tensão, o The New York Times noticiou que a Casa Branca terá apresentado ao Irão um plano de cessar-fogo de 15 pontos, através de intermediários paquistaneses. Paralelamente, o Pentágono mobilizou duas unidades da Marinha, adicionando cerca de 5.000 fuzileiros navais e milhares de marinheiros à presença militar dos EUA na região, numa clara demonstração de força.

A notícia do plano de cessar-fogo surpreendeu as autoridades israelitas, que defendiam a continuidade da pressão sobre o Irão. Enquanto isso, a região foi palco de ataques aéreos contra a República Islâmica e de mísseis e drones iranianos contra Israel e outros alvos, evidenciando a volátil situação.

Pressão Interna e o Impacto Económico

Com os preços do petróleo em alta e os consumidores a sentir o impacto nas bombas de gasolina, Donald Trump enfrentava crescente pressão interna para resolver o conflito. O bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz causou perturbações no transporte marítimo internacional, elevou os custos dos combustíveis e ameaçou a economia global.

Ebrahim Zolfaghari, porta-voz iraniano, concluiu que o que os EUA chamavam de “poder estratégico” se transformou num “fracasso estratégico”. “Aquele que se autointitula superpotência mundial já teria saído desta confusão se pudesse. Não disfarcem a vossa derrota como um acordo. A vossa era de promessas vazias chegou ao fim”, afirmou, reiterando a posição inflexível de Teerão.

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