Trabalho

CFM-Centro acusada de ordenar detenção de 30 trabalhadores após protestos por salários em atraso

A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM-Centro) está no centro de uma polémica grave, com acusações de repressão e abuso de poder por parte de um grupo de ex-trabalhadores. O caso mais recente envolve a detenção de trinta antigos funcionários, alegadamente por ordens diretas da direção, após protestos por salários em atraso.

Cerca de 250 operários foram contratados em 2019 para a reabilitação da importante linha férrea que liga a Beira a Machipanda. Durante cinco anos, estes homens dedicaram-se a um trabalho árduo, sob promessa de integração nos quadros permanentes da CFM-Centro após a conclusão das obras em 2024.

No entanto, segundo as denúncias, ao fim do contrato, os trabalhadores não só foram dispensados, como também ficaram com pagamentos de horas extraordinárias e diversos subsídios por receber. “Trabalhámos arduamente, abdicámos das nossas famílias e agora somos descartados sem os nossos direitos básicos”, desabafou um dos porta-vozes do grupo, expressando a frustração coletiva.

As Detenções e a Tentativa de Silenciamento

A tensão escalou quando os ex-trabalhadores tentaram apresentar as suas reivindicações diretamente ao Presidente da República, Daniel Chapo, durante uma cerimónia pública na Beira. A direção da CFM-Centro, temendo um “embaraço” protocolar na inauguração da Escola Básica do Esturro, terá optado pela detenção preventiva dos líderes do movimento, em vez de um diálogo construtivo.

Fontes ligadas a vários órgãos de comunicação social, incluindo o jornal Canal de Moçambique, indicam que três dos detidos – Alberto Sabão, Felizberto Gimo e Nelson Roda – foram inicialmente levados para o Posto de Investigação Criminal, permanecendo incomunicáveis, uma situação que levanta sérias preocupações sobre os direitos humanos.

Questionado sobre estas graves acusações, o diretor executivo da CFM-Centro, António Bié, manteve uma postura reservada. Limitou-se a referir um “mal-entendido” e remeteu quaisquer esclarecimentos adicionais para as autoridades competentes que lidam com questões de ordem pública e laboral, evitando abordar diretamente as alegações de repressão.

Os ex-trabalhadores já enviaram uma exposição detalhada ao Presidente da República, apelando à sua intervenção pessoal. No documento, contrastam o enorme esforço físico despendido na reabilitação da linha férrea com a “frieza” da direção, que, segundo eles, acompanhava o trabalho de gabinetes climatizados.

O caso encontra-se agora num impasse jurídico e social, com a expectativa de uma reação oficial do Governo ou das instâncias judiciais. Os trabalhadores classificam a situação como uma violação flagrante dos seus direitos humanos e laborais, aguardando justiça para os pagamentos em atraso e o tratamento que receberam.

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