Maputo regista aumento de casos de doenças hídricas

A capital moçambicana, Maputo, está a testemunhar um aumento alarmante de doenças hídricas, resultado direto da intensa época chuvosa de 2025-2026. A situação, que preocupa as autoridades de saúde, foi confirmada pelo presidente do Conselho Municipal, Rasaque Manhique, durante o Fórum Municipal de Doenças Hídricas.

Subida Preocupante nos Números
Dados recentes da monitoria semanal revelam uma escalada nos casos de malária e diarreia. Nas primeiras sete semanas epidemiológicas do ano em curso, foram registados 4687 casos de malária, um aumento de 49% em relação aos 3135 casos reportados no mesmo período de 2025.

A situação das diarreias não é menos grave. Nos primeiros dois meses de 2026, a cidade contabilizou 5547 casos, representando uma subida de 74% comparativamente aos 3183 casos verificados em 2025.
Perspetiva Anual e Casos Atuais
Analisando os registos anuais, o cenário é igualmente desafiador. Em 2025, Maputo registou 27.260 casos de malária, um salto de 123% face aos 12.234 casos de 2024. Quanto às diarreias, 2025 fechou com 31.442 casos, um aumento de 11% em relação aos 28.330 casos de 2024.
O boletim epidemiológico semanal, que abrange o período de 9 de janeiro a 24 de fevereiro deste ano, aponta para um total de 20.166 casos de diversas doenças, seis óbitos e um caso de cólera no Distrito Municipal KaTembe, sublinhando a urgência da situação.
Ações de Resposta e Prevenção
Em face deste quadro, o Conselho Municipal, através do Pelouro de Saúde e Qualidade de Vida, em colaboração com o Serviço de Saúde da Cidade de Maputo e o Instituto Nacional de Saúde, ativou o Comité Operativo de Emergência de Saúde Pública. Este comité foca-se em três pilares essenciais: investigação e vigilância, manejo de casos e prevenção, e comunicação de risco.
Entre as ações desencadeadas, destacam-se a monitoria diária das doenças, a investigação e acompanhamento de casos suspeitos, e a realização de testes. Das 28 amostras de água recolhidas e analisadas, sete foram consideradas impróprias para consumo humano, o que agrava o risco de contaminação. Além disso, 175 pessoas foram testadas para cólera, resultando em dois casos positivos.
Rasaque Manhique enfatizou a importância da parceria com o Programa Nacional de Controlo da Malária e outras organizações internacionais. Esta colaboração tem sido crucial para a implementação de campanhas educativas de consciencialização e para garantir o tratamento adequado da malária na comunidade.



