Crédito desajustado penaliza agro-negócio

O sector do agro-negócio em Moçambique, particularmente na província de Nampula e focado nas mulheres produtoras, continua a enfrentar grandes desafios devido à falta de acesso a um crédito financeiro que se ajuste à realidade dos seus ciclos de produção. Esta situação tem dificultado bastante o desenvolvimento e a sustentabilidade das actividades agrícolas.

Barreiras ao Financiamento Agrícola
A presidente da Associação de Mulheres Rurais e Empreendedoras de Nampula (AMURENA), Julina Herculete, expressou a sua preocupação numa entrevista ao Jornal Domingo. Ela defende a urgência de criar mecanismos financeiros mais flexíveis e que se adaptem às características únicas do sector agrícola, especialmente para as mulheres que lideram estes negócios no meio rural.

Segundo Herculete, apesar de haver várias opções de financiamento para pequenos e médios empresários, os requisitos exigidos pelos bancos são muitas vezes impossíveis de cumprir para a maioria das associações e empreendedoras rurais. Muitos projectos não conseguem avançar porque não conseguem satisfazer critérios burocráticos, administrativos e financeiros que não levam em conta a vida no campo.
Uma das principais dificuldades é a exigência dos bancos para que se abram contas na própria instituição financeira, um processo que é visto como complicado para muitas associações rurais. Para além disso, a falta de acompanhamento técnico depois de o financiamento ser concedido faz com que os negócios fiquem frágeis, levando muitas vezes à perda da sustentabilidade dos projectos.
Julina Herculete sublinha que, embora o apoio financeiro seja crucial, os prazos de retorno exigidos pelos bancos não são favoráveis para quem trabalha no agro-negócio, que não gera dinheiro todos os dias. Ela explica que o ciclo agrícola envolve várias fases – preparação, selecção de culturas, produção, colheita, transformação e venda no mercado – e isso exige um tempo de retorno mais longo do que o que é habitualmente oferecido.