Economia

Moçambique limita importação de pão para impulsionar indústria local

O Governo de Moçambique anunciou a introdução de restrições à importação de pão de forma, uma medida estratégica para fortalecer a economia nacional, proteger a produção local e criar oportunidades de emprego, especialmente para os jovens.

A decisão, que deverá entrar em vigor num prazo de 45 a 60 dias, alinha-se com iniciativas anteriores aplicadas aos sectores do trigo e do arroz, reforçando o compromisso do Executivo com o estímulo ao investimento industrial e a redução da dependência externa.

Estímulo à Produção Nacional e Criação de Emprego

O anúncio oficial foi feito pelo secretário de Estado do Comércio, António do Rosário Grispos, durante uma visita à padaria Pão de Lenha, na Machava, província de Maputo. Grispos sublinhou que a expansão da indústria local está diretamente ligada à absorção de mão-de-obra. “Só com uma segunda unidade a abrir estamos a falar de cerca de 60 empregos. Se multiplicarmos isso pela média dos agregados familiares, percebemos o impacto que terá na vida das pessoas”, afirmou o governante.

A expectativa é que o incremento da produção interna gere ganhos de escala e diminua os custos unitários, resultando numa potencial redução de 5% a 10% nos preços do pão de forma local para o consumidor final nos próximos anos, conforme projeções da unidade industrial visitada.

Desafios e Perspetivas Futuras

Apesar do otimismo governamental, operadores privados do sector de panificação, como Yusuf Amuji, gerente da Pão de Lenha, reconhecem os desafios da concorrência externa. A sua padaria produz entre 1.000 e 1.200 unidades diárias, um volume modesto face ao domínio de grandes operadores importadores. Amuji, que investiu entre sete a oito milhões de meticais numa nova linha industrial, acredita que a proteção do mercado incentivará novos investimentos.

Esta política de proteção seletiva não se limitará ao pão. O plano do Executivo prevê futuras restrições à importação de água mineral, frango, materiais de embalagem e outros produtos industriais acabados, priorizando sempre a importação de matérias-primas. Espera-se que esta expansão beneficie outras cadeias produtivas nacionais, como fornecedores de plástico, açúcar, ovos, leite e manteiga.

O Governo mantém a convicção de que, apesar das pressões logísticas e de custos de combustível, o produto nacional permanecerá competitivo. As diretrizes regulatórias detalhadas serão divulgadas formalmente nas próximas semanas, após a deliberação da Comissão Consultiva de Importação.

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