Auditor alerta: Dívida estatal ao Banco Central agrava-se em MZN 13.6 bi

As Contas Anuais do Banco de Moçambique continuam a ser aprovadas com reservas, evidenciando uma persistente dívida do Estado moçambicano à instituição que, em 2025, registou um aumento significativo de 13.611.010 mil Meticais, agravando a situação financeira do regulador.
A Forvis Mazars SCAC, Lda., auditora independente das demonstrações financeiras do Banco Central, expressou novamente reservas sobre o desempenho da instituição. A principal preocupação reside na dívida acumulada pelo Estado desde 2005, que em 31 de Dezembro de 2025 atingiu o montante colossal de 128.977.662 milhares de Meticais, um aumento considerável em relação aos 115.366.652 milhares de Meticais registados em 2024. Este valor resulta, em grande parte, das flutuações cambiais.
Estado Ignora Responsabilidades e Juros Não Registados
O auditor reitera que o Estado moçambicano continua a não assumir as suas responsabilidades financeiras perante o Banco de Moçambique. Além da dívida principal, o Banco Central também não procedeu ao registo de juros e rendimentos associados a esta dívida, que somam 27.698.958 milhares de Meticais em 2025 (ligeiramente superior aos 27.648.902 milhares de Meticais de 2024).
A impossibilidade de registar estes juros e rendimentos é atribuída a limitações no sistema contabilístico do Banco de Moçambique. Segundo o auditor, o sistema não permite a extracção do mapa de reavaliação cambial por moeda, o que impede a obtenção de evidência de auditoria suficiente e apropriada relativamente a estes saldos.
Este cenário de aprovação de contas com reservas não é novo para o Banco de Moçambique. Nos últimos três anos, a dívida não assumida pelo Estado cresceu em cerca de 38.7 mil milhões de Meticais, demonstrando a urgência de uma solução para esta questão financeira persistente que afeta a estabilidade do regulador do sistema financeiro nacional.



