Economia

Tendência do desempenho dos retalhistas dos combustíveis líquidos

O mercado de retalho de combustíveis líquidos na Cidade de Maputo tem enfrentado desafios consideráveis, revelando uma tendência de desempenho que, apesar de uma recente melhoria, ainda não atingiu os níveis observados em anos anteriores. Dados recolhidos em postos de abastecimento indicam uma flutuação significativa nas quantidades vendidas ao público, com implicações diretas para a economia e a vida dos cidadãos.

Desempenho dos Postos de Abastecimento em Maputo

Análises detalhadas mostram que, em média, os postos de abastecimento na capital moçambicana vendiam cerca de 326 mil litros de combustíveis líquidos por mês em 2025. Este volume, no entanto, sofreu uma drástica redução para aproximadamente 132 mil litros mensais em 2026, resultando num défice de abastecimento estimado em 194 mil litros.

A nível semanal, a tendência foi semelhante. Em 2025, a média de vendas situava-se em 78,5 mil litros por semana, caindo para 32,5 mil litros semanais em 2026. Esta diminuição representa um défice de oferta estimado em 46 mil litros por semana, contribuindo para as longas filas observadas nos postos.

Medidas Governamentais e Recuperação Recente

O desempenho dos postos de abastecimento registou uma queda média semanal de 63% antes das intervenções governamentais. No entanto, na semana de 20 a 25 de Abril, houve uma notável melhoria de 89% nas quantidades vendidas ao público. Esta recuperação é atribuída a medidas tomadas pelo Governo, aproximadamente 15 dias antes, que incluíram:

  • Inspeções rigorosas nos terminais oceânicos.
  • Inspeções aos próprios postos de abastecimento.
  • Implementação de medidas excecionais para assegurar o abastecimento de combustíveis líquidos no país.

Apesar da melhoria, é importante notar que o volume de vendas ainda não alcançou o desempenho registado em 2025, indicando que a recuperação completa ainda é um desafio.

O Desafio das Divisas e o Futuro do Abastecimento

A questão da disponibilidade de divisas continua a ser um dos principais entraves para o fluxo normal de combustíveis em Moçambique. Para o futuro, a resolução desta situação é crucial.

No curto prazo, a intervenção do Banco de Moçambique (BM) no Mercado Cambial Interbancário (MCI) é vista como essencial. Propõe-se um modelo de intervenção suavizado, ancorado ao desempenho do próprio mercado, que proteja as Reservas Internacionais Líquidas (RILs) do país. Neste modelo, o BM faria injeções periódicas de divisas, limitadas ao valor de aprovisionamento dos bancos para a reconstituição das RILs. Por exemplo, se em determinado mês o aprovisionamento dos bancos para as RILs fosse de 141,4 milhões de USD, o BM interviria no MCI vendendo o mesmo valor no mês seguinte para apoiar os bancos comerciais nas suas necessidades de importação de combustíveis. Este mecanismo flexível visa minimizar o problema das divisas sem comprometer excessivamente as reservas.

A longo prazo, além de medidas para controlar exportações e importações, é fundamental implementar ações que aumentem a geração de divisas. Considerando a posição de Moçambique como centro logístico para o hinterland, com muitas mercadorias (incluindo combustível) a transitarem pelos portos nacionais, sugere-se que os serviços financeiros nacionais, como banca e seguros, sejam estrategicamente utilizados para captar divisas. Uma possível medida seria introduzir a obrigatoriedade de que as mercadorias em trânsito utilizem os serviços financeiros nacionais, embora se reconheça que esta não possa ser uma aplicação a 100% devido a condicionalismos específicos.

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