Exploração Florestal: Moçambique Reforça Controlo e Combate Ilegalidade

O distrito de Dondo, na província de Sofala, foi palco da declaração oficial da abertura da época de Exploração Florestal 2026, feita pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino. Este marco assinala uma nova era de organização e controlo no sector, com o governo a reforçar a sua posição contra a ilegalidade.
Ao contrário do ano anterior, quando o arranque da campanha ocorreu em Julho, este ano a abertura deu-se a 01 de Abril, dentro do período legal estabelecido, evidenciando uma melhoria na gestão e coordenação. O Ministro Albino sublinhou que o Sistema de Informação Florestal está plenamente operacional, impulsionando a transparência e a previsibilidade no processamento de licenças, eliminando espaços para intermediações ou favorecimentos.
Dirigindo-se aos operadores florestais, o governante reconheceu a sua importância socioeconómica, mas deixou um aviso claro sobre a mudança de paradigma em curso. “Quem cumpre a lei não tem nada a temer, tem tudo a ganhar”, afirmou, incentivando o abandono de práticas baseadas em privilégios e apelando ao cumprimento rigoroso da legislação vigente.
Desempenho e Desafios do Sector
Apesar dos avanços, Roberto Albino admitiu que o desempenho do sector ainda está aquém do potencial nacional. Em 2025, foram reflorestados 35.789 hectares, representando um crescimento de 199% em relação a 2024, e recuperados 5.166 hectares de mangal na Zambézia. No mesmo período, o sector gerou 181,9 milhões de meticais em receitas, dos quais 24,9 milhões foram direcionados às comunidades.
Contudo, o Ministro alertou para sinais de fragilidade, como a redução do número de operadores ativos, que diminuiu de 699 em 2015 para 369 em 2024. Esta descida, segundo Albino, reflete problemas de confiança no sistema e o impacto do combate à exploração ilegal.
Pilares para o Futuro e Integridade
No seu discurso, o Ministro delineou três pilares fundamentais para o futuro do sector: legalidade, transformação e prosperidade. Abordou também questões de integridade, mencionando a apreensão de 111 contentores no Porto da Beira, no âmbito da “Operação Esperança”.
Expressou, contudo, preocupação com denúncias anónimas consideradas de má-fé, que têm levado à retenção indevida de mercadorias sem irregularidades comprovadas, gerando custos adicionais para os operadores. “Quem paga esses custos?”, questionou, exortando os órgãos de justiça a responsabilizar os autores dessas denúncias para proteger os operadores legais e fortalecer a credibilidade do sector.
Com o início desta nova época, o Governo reafirma o seu compromisso em consolidar um sector florestal mais transparente e regulado, apostando numa exploração sustentável que gere benefícios concretos para a economia e para as comunidades moçambicanas.



