Jornalismo Moçambicano: Sindicalismo e Ética Combatem Fragilização

Especialistas e académicos da área de comunicação social em Moçambique convergiram em Maputo, durante a Conferência Nacional de Sustentabilidade dos Media, para sublinhar a urgência de fortalecer o sindicalismo, consolidar a identidade corporativa e priorizar o rigor ético como estratégias cruciais para reverter a fragilização do jornalismo moçambicano.
Pilares para a Resistência Jornalística
No decorrer do segundo e último dia do evento, organizado pelo Jornal Evidências e IMD, que reuniu diversos intervenientes para discutir soluções estruturais para o sector, o jornalista e pesquisador Rogério Sitoe, atual presidente do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), abordou o tema “Jornalismo e democracia: A quem interessa fragilizar o jornalismo”. Sitoe enfatizou a necessidade de uma resistência robusta para assegurar que o jornalismo moçambicano não se desvie da sua função primordial. Para tal, defendeu que “é preciso que o jornalismo moçambicano esteja organizado”, alicerçado num “jornalismo com rigor ético e deontológico que pauta com clareza e verdade”. Segundo Sitoe, o fortalecimento da identidade corporativa e a criação de uma força sindical jornalística são as únicas vias para os media se libertarem das múltiplas pressões, sejam elas políticas ou económicas.
Rogério Sitoe alertou ainda para a crescente interferência de diversos atores no trabalho jornalístico, para além do poder governamental. Mencionou explicitamente “agentes partidários, o crime organizado e os doadores internacionais” como influências, reforçando que “não há político que esteja interessado em dar liberdade aos media”.
Pressões e Beneficiários da Fragilização
Corroborando esta perspetiva, o jornalista e pesquisador Lázaro Mabunda destacou as intensas pressões políticas e económicas que o jornalismo moçambicano enfrenta, indicando que os políticos são os principais beneficiários desta fragilização. Mabunda explicou que a deterioração do jornalismo ocorre através da redução de financiamento via publicidade e por meio de interferências governamentais e partidárias.
Por sua vez, o académico e cientista político Dércio Tsandzana observou uma clara quebra na função essencial do jornalismo como meio de formar e informar a sociedade. Tsandzana apontou o Estado como o principal influenciador, ditando “a forma como é feito o jornalismo moçambicano”.



