Algodão em Moçambique: Preço histórico de 27 MT impulsiona produtores

O Governo moçambicano, em colaboração com produtores e industriais, alcançou um consenso histórico sobre a fixação de novos preços mínimos ao produtor para a campanha agrária 2025/2026. A medida mais notável é o aumento do preço do algodão caroço de 22 para 27 meticais por quilograma, uma estratégia crucial para travar o abandono da cultura pelos camponeses e revitalizar a produção nacional.
O acordo foi selado esta sexta-feira (15), em Maputo, durante a reunião de Negociação de Preços Mínimos do Algodão e Oleaginosas, presidida pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino. Segundo o ministro, este entendimento representa um “momento histórico” ao integrar, pela primeira vez, as oleaginosas no mesmo mecanismo formal de concertação que antes era exclusivo ao algodão, demonstrando uma “abordagem mais inclusiva, integrada e estratégica para o desenvolvimento do sector agrário” do País.
Novos Preços para Culturas Estratégicas
Além do algodão, os preços consensualizados abrangem outras culturas estratégicas para a economia moçambicana. O gergelim foi fixado em 70 meticais por quilograma, a soja em 30 meticais e o girassol em 32 meticais por quilograma. Adicionalmente, foi acordada uma taxa de seis meticais por quilograma para o descaroçamento do algodão. Estes valores são vistos como um incentivo fundamental para os agricultores.
Desafios e Apoio Governamental
O ministro Albino reconheceu a alta sensibilidade dos produtores às oscilações de preços, citando que uma revisão anterior resultou na perda de 30% a 40% dos produtores do sector. Para assegurar a subida do preço do algodão para 27 meticais e mitigar o impacto nos demais intervenientes da cadeia, o Estado comprometeu-se a compensar parcialmente o diferencial negociado, buscando mecanismos para apoiar os produtores.
O subsector enfrenta pressões significativas, como a subida internacional dos combustíveis, custos logísticos elevados e o consequente aumento dos preços dos insumos agrícolas, que afetam a competitividade da produção nacional. Contudo, o Governo defende que o País deve focar no aumento da produtividade e no acesso ao financiamento. Para tal, foi anunciada a criação de uma linha de crédito inicial de 150 milhões de meticais, destinada a apoiar os produtores integrados nas cadeias de algodão e oleaginosas.
Reações dos Produtores
Benison Khenass, presidente do Fórum Nacional dos Produtores de Algodão (FONPA), expressou otimismo, classificando o novo preço como “bom, competitivo e corajoso”, que “dá ânimo para voltar ao campo”. Khenass alertou que o número de produtores caiu drasticamente de 250 mil para 150 mil nos últimos anos, devido a mudanças climáticas, migração e o abandono da cultura por outras atividades. Este aumento de preço é visto como essencial para reverter essa tendência.
Por outro lado, Francisco dos Santos, presidente da Associação Algodoeira e de Oleaginosas de Moçambique (AAOM), destacou os desafios contínuos do contrabando e da concorrência regional, especialmente com o Maláui. Ele salientou que os produtores sempre buscam o melhor preço, e a fuga de produtos agrícolas para países vizinhos continua a impactar o mercado nacional, exigindo atenção contínua às políticas de fomento e fiscalização.



