Corrupção fragiliza controlo rodoviário e agrava acidentes

A corrupção no controlo rodoviário em Moçambique é um dos principais fatores que contribuem para o elevado número de acidentes nas estradas, conforme revelado pelo Procurador-Geral da República, Américo Letela.
A Corrupção como Causa dos Acidentes Rodoviários
Durante a apresentação do informe anual da Procuradoria-Geral da República (PGR) na Assembleia da República, Américo Letela sublinhou que os acidentes de viação não são apenas resultado de falhas humanas ou técnicas. Ele apontou que a fragilização do sistema de controlo rodoviário devido a práticas corruptas desempenha um papel crucial. A condução por indivíduos sem habilitação adequada, a circulação de viaturas em condições precárias e o funcionamento irregular de transportes semi-coletivos são consequências diretas da corrupção entre as entidades fiscalizadoras e das lacunas nos mecanismos de fiscalização.
Impacto da Impunidade e Suborno
Letela enfatizou que cada infração ignorada em troca de suborno aumenta consideravelmente o risco para todos os utentes da via pública. A cultura de impunidade, segundo o Procurador-Geral, não só encoraja comportamentos de risco, mas também mina o respeito pela lei. A crença de que as regras de trânsito podem ser contornadas através de pagamentos ilícitos compromete a eficácia das medidas preventivas e a educação cívica na sociedade.
Consequências Sociais e Económicas
O Procurador-Geral da República alertou para as profundas consequências do elevado índice de acidentes rodoviários em Moçambique. Além da trágica perda de vidas humanas, registam-se aumentos de incapacidades permanentes e temporárias, que afetam diretamente as famílias. Estes acidentes também sobrecarregam o sistema de saúde, geram perdas económicas significativas para as famílias e para o Estado, e criam um clima generalizado de insegurança nas estradas do país.



