Malária representa 24% dos atendimentos hospitalares em Moçambique

A malária continua a ser uma das maiores preocupações de saúde pública em Moçambique, sendo responsável por cerca de 24% de todos os atendimentos nas unidades sanitárias do país. Esta estatística, divulgada pelo Ministério da Saúde (MISAU) no Dia Mundial da Malária, 25 de abril, sublinha o impacto profundo da doença tanto no sistema sanitário quanto na produtividade económica nacional.
Impacto da Malária em Moçambique
A doença mantém-se como a principal razão pela qual os cidadãos procuram os serviços de saúde em Moçambique. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registou aproximadamente 282 milhões de casos de malária, com 265 milhões concentrados em África. Em Moçambique, o Relatório Anual do Programa Nacional de Controlo da Malária de 2025 aponta para cerca de 7,45 milhões de casos.
Fatores e Grupos de Risco
A maior carga da doença é observada nas regiões Norte e Centro do país, conforme o Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS 2022-2023). Vários fatores contribuem para esta prevalência, incluindo a maior exposição a eventos climáticos extremos, como ciclones e cheias, limitações no acesso contínuo e de qualidade aos serviços de saúde, e situações humanitárias e deslocamentos populacionais, particularmente no Norte.
Os grupos mais vulneráveis incluem crianças entre 06 e 59 meses, com uma prevalência estimada em 32% e um impacto significativo na mortalidade infantil; mulheres grávidas, que necessitam de acesso reforçado ao tratamento preventivo intermitente; e populações deslocadas, que enfrentam maior exposição devido a condições precárias de habitação e dificuldades no acesso aos cuidados de saúde.
Estratégias de Combate e Desafios
Para mitigar o impacto da malária, o Governo moçambicano e os seus parceiros têm implementado diversas medidas. Entre elas, destacam-se a distribuição de redes mosquiteiras tratadas com inseticida, a pulverização intra-domiciliária, a monitoria entomológica, a introdução da vacinação contra a malária em crianças e campanhas de mobilização social através de rádios e agentes comunitários. As autoridades de saúde enfatizam a necessidade de estratégias diferenciadas e adaptadas às especificidades de cada região, dada a concentração geográfica da doença.
Apesar dos progressos alcançados, desafios persistentes ameaçam o controlo da malária no país. As limitações logísticas, a descontinuidade dos cuidados e a resistência aos inseticidas são alguns dos obstáculos que exigem atenção contínua para garantir a eficácia das intervenções.



