Dinheiro do INATRO pago via carteiras móveis termina em empresa de ar condicionado e catering

Uma investigação bombástica revelou que fundos do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), pagos por cidadãos moçambicanos através de carteiras móveis, não estão a entrar nos cofres do Estado, mas sim a ser canalizados para uma empresa privada com atividades que vão desde a venda de ar condicionado ao catering.

A Investigação Chocante
A organização da sociedade civil “Sociedade”, em parceria com a plataforma Livenews48, divulgou nas redes sociais detalhes de um alegado esquema de desvio de fundos no INATRO. Segundo as revelações, os pagamentos digitais feitos pelos utentes para os serviços do INATRO estariam a ser depositados nas contas de uma empresa privada, a ITS – International Trading Solutions, Limitada, em vez de irem para o Estado.

O Perfil Inusitado da ITS
Os documentos de constituição da ITS, datados de 12 de dezembro de 2018, mostram um objeto social surpreendentemente vasto e completamente alheio ao setor dos transportes. A empresa está registada para prestar serviços de limpeza, venda de produtos de higiene, inspeção de máquinas industriais, alpinismo industrial, importação e exportação de alimentos, serviços de catering, ornamentação de eventos, compra e venda de medicamentos e até reparação, montagem e venda de sistemas de ar condicionado.
É a diversidade e a natureza das atividades da ITS que levantam as maiores suspeitas, questionando como uma entidade com este perfil pode ser o recetáculo para receitas públicas de um instituto de transportes.
Impacto e Questões Urgentes
Este esquema pode ser a chave para entender a crise financeira que o INATRO alega enfrentar, e que tem resultado no atraso na impressão de milhares de cartas de condução definitivas. Enquanto os cidadãos esperam anos pelos seus documentos, as taxas pagas estariam a alimentar uma empresa cujo registo permite desde a venda de medicamentos à manutenção de aparelhos de climatização.
A investigação da “Sociedade” levanta questões sérias sobre a transparência e a integridade do sistema de pagamentos digitais do Estado. Até ao momento, a direção do INATRO não se pronunciou oficialmente sobre estas alegações. Este escândalo surge num período em que o instituto já está sob forte crítica pela sua incapacidade de resposta aos utentes e por auditorias anteriores que já apontavam para problemas na gestão de receitas.