Moçambique: Governo Avalia Ajustes da ExxonMobil no Rovuma LNG

O Governo moçambicano, por intermédio do Instituto Nacional de Petróleos (INP), confirmou que está a proceder à análise da proposta de emenda ao Plano de Desenvolvimento do Projecto Rovuma LNG. Esta proposta, apresentada pela ExxonMobil e os seus parceiros da Área 4 Offshore, representa uma fase significativa para o sector energético do país, que capta a atenção do mercado internacional em relação aos grandes projectos de gás natural na Bacia do Rovuma.
Contexto e Procedimentos Legais
A submissão da proposta pela ExxonMobil, embora seja um marco importante, não implica uma aprovação automática. O INP esclarece que este é o início de uma nova fase de apreciação técnica, envolvendo diversos sectores e seguindo rigorosamente a legislação petrolífera moçambicana. A emenda refere-se ao plano original aprovado em 2019 pelo Conselho de Ministros, exigindo a observância de todos os procedimentos legais e regulatórios aplicáveis a instrumentos desta natureza.
De acordo com a legislação em vigor, o plano será submetido ao ministro que superintende o sector, com um prazo de até nove meses para a conclusão da análise. Durante este período, o Executivo pode solicitar esclarecimentos, correcções ou ajustamentos adicionais antes de qualquer decisão final.
Detalhes da Proposta e Impacto
Embora os pormenores da emenda não sejam públicos, fontes do sector sugerem que poderá abranger ajustes relacionados com a viabilidade económica, a estrutura financeira, a implementação operacional, o cronograma e a integração de novos pressupostos técnicos e comerciais. O cenário energético global actual, marcado pela subida dos preços do petróleo e gás, a crescente procura por GNL e as tensões geopolíticas, poderá estar a influenciar as revisões propostas.
O Rovuma LNG é reconhecido como um activo energético emergente de grande relevância para África. As autoridades moçambicanas sublinham o carácter estruturante do projecto para a economia nacional, antecipando impactos positivos nas receitas fiscais, exportações, reservas internacionais, criação de emprego, desenvolvimento de infra-estruturas e dinamização empresarial.
Coordenação e Futuro do Projeto
O Governo de Moçambique está empenhado em assegurar que a análise da proposta se alinhe com os parâmetros legais, técnicos e estratégicos essenciais para os interesses do país. A análise considerará aspectos cruciais como a viabilidade económica, o financiamento, a provisão de gás doméstico, o conteúdo local, o plano de depleção do depósito e as questões tributárias.
Para otimizar a coordenação e a articulação institucional, o Conselho de Ministros instituiu, em Março, o Comité Interministerial de Coordenação ao Plano de Desenvolvimento do Projecto Rovuma LNG. Paralelamente, uma equipa técnica multissectorial, coordenada pelo INP, foi criada para a análise pormenorizada da proposta da ExxonMobil.
A aprovação desta emenda é um passo fundamental para a aguardada Decisão Final de Investimento (FID) do projecto Rovuma LNG, um dos momentos mais esperados para o desenvolvimento da exploração de gás em Moçambique.



