Moçambique: Pobreza e Instituições Fortes para o Desenvolvimento Sustentável

Moçambique defendeu esta semana, nos Estados Unidos da América, que o combate à pobreza e o fortalecimento das instituições públicas devem ser abordados em simultâneo para garantir um desenvolvimento sustentável e duradouro no país.
Visão Estratégica para um Desenvolvimento Integrado
Esta posição foi apresentada pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante a sua participação no Fragility Forum 2026. O evento, promovido pelo Grupo Banco Mundial em Washington D.C., reuniu governantes, especialistas e parceiros de desenvolvimento para discutir soluções para nações afetadas por fragilidade, conflitos e vulnerabilidades.
No painel “Pragmatismo Baseado em Princípios: Lições Práticas Para Viabilizar o Compromisso Governamental em Situações de Fragilidade, Conflito e Violência”, Valá sublinhou que o financiamento ao desenvolvimento não deve ser visto como uma escolha entre responder às necessidades das populações mais vulneráveis e fortalecer as instituições do Estado. Segundo o governante, as necessidades sociais devem orientar os setores de investimento, enquanto o compromisso governamental e o fortalecimento institucional devem determinar a forma como esses recursos são aplicados, monitorados e convertidos em benefícios concretos para os cidadãos.
Moçambique: Desafios, Oportunidades e Prioridades
Durante o debate, o ministro apresentou indicadores sobre os desafios e oportunidades de desenvolvimento de Moçambique. Ele destacou os esforços contínuos para acelerar a redução da pobreza, combater as desigualdades sociais, criar empregos de qualidade e promover o empreendedorismo. O apoio às micro, pequenas e médias empresas foi apontado como uma das prioridades nacionais, a par do reforço da capacidade do Estado para prestar serviços públicos mais eficientes.
Outro aspeto relevante foi o potencial do dividendo demográfico. Com cerca de 80% da população moçambicana abaixo dos 35 anos, há uma necessidade premente de investimentos robustos em educação, formação profissional, inovação, empreendedorismo e inclusão económica da juventude.
Estas prioridades estão alinhadas com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE 2025-2044), um instrumento que orienta a transformação económica e social do país, prevendo um crescimento inclusivo, diversificado e com maior participação dos jovens, das zonas rurais e do setor privado nacional.
Apelo à Parceria e Solidariedade Internacional
Salim Valá defendeu que o sucesso das reformas depende de uma visão nacional partilhada, instituições sólidas e da participação ativa dos diversos atores da sociedade na implementação das políticas públicas. Adicionalmente, apelou aos parceiros internacionais para que reforcem o apoio aos países em desenvolvimento através de mecanismos de financiamento previsíveis e de longo prazo, focados no fortalecimento das capacidades institucionais e na obtenção de resultados sustentáveis.
A participação de Moçambique no Fragility Forum 2026 permitiu partilhar experiências nacionais, reforçar o diálogo com parceiros internacionais e reafirmar o compromisso do país com a promoção do desenvolvimento inclusivo, da resiliência económica e da transformação estrutural sustentável.



