Moçambique: Medicamentos Vencidos e Escassez Ameaçam Saúde Pública

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) denunciou publicamente a existência de medicamentos fora do prazo de validade e a escassez de insumos essenciais nas unidades sanitárias do país, acusando o Governo de inação e ocultação perante uma crise que ameaça a saúde pública.
Denúncias de Medicamentos Expirados e Provas Apresentadas
A denúncia da APSUSM, apresentada em conferência de imprensa, surge em resposta às declarações governamentais que minimizam a situação. A organização alega possuir evidências concretas, como fotografias, vídeos e testemunhos, que comprovam a distribuição de fármacos expirados em hospitais e centros de saúde. Um caso emblemático, reportado na província de Gaza, envolveu uma utente que terá recebido medicamentos com validade expirada em 2025, embora a data de entrega fosse abril deste ano. Este incidente, segundo a associação, sublinha falhas graves na gestão, armazenamento e fiscalização do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Escassez Generalizada e Resposta Governamental Questionada
Além dos medicamentos vencidos, a APSUSM alerta para as frequentes rupturas de stock de fármacos e materiais médico-cirúrgicos, uma situação que compromete seriamente o atendimento aos pacientes e coloca vidas em risco. A associação criticou veementemente o anúncio governamental relativo à aquisição de medicamentos com previsão de entrega apenas para os próximos 18 meses, considerando esta resposta inadequada face à urgência e gravidade da crise atual. Para os profissionais, “a falta de medicamentos mata”, sendo uma questão de saúde pública e sobrevivência.
Apelo à Transparência e Negociações Paralisadas
Em busca de maior transparência, a APSUSM desafiou o Governo a autorizar uma visita conjunta com jornalistas aos armazéns do Centro de Abastecimento de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM). A organização lamenta que as negociações com o executivo se encontrem praticamente paralisadas há vários meses e acusa as autoridades de não apresentarem um plano concreto e eficaz para resolver a escassez de medicamentos e melhorar as condições de funcionamento das unidades sanitárias.
Reivindicações Urgentes e Impacto nos Cidadãos
Entre as principais reivindicações da associação, figuram a reposição urgente de medicamentos e consumíveis médicos, a melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde e a responsabilização de gestores considerados ineficazes na condução do setor. A APSUSM alerta ainda para a crescente dependência de medicamentos doados e para as dificuldades enfrentadas por pacientes que, frequentemente, são obrigados a adquirir fármacos em farmácias privadas, devido à indisponibilidade dos mesmos nos hospitais públicos. Até ao momento, o Ministério da Saúde mantém a posição de que está a desenvolver esforços para normalizar o abastecimento de medicamentos e garantir o funcionamento regular das unidades sanitárias em todo o país.



