Auditoria contesta $2 bi em custos da TotalEnergies no Gás de Rovuma

Uma auditoria independente, encomendada pelo Governo moçambicano, revelou uma discrepância significativa nos custos recuperáveis exigidos pela TotalEnergies para o projeto de gás na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.
A consultora britânica Bayphase, contratada para avaliar os montantes, apurou que a TotalEnergies reivindicou dois mil milhões de dólares (USD) a mais do que o valor devidamente documentado. O consórcio da Área 1 da Bacia do Rovuma não conseguiu apresentar os documentos de suporte para dois dos cinco mil milhões de USD que apontou como prejuízos acumulados durante o período de “força maior”.
Descobertas da Auditoria e Contestações
Fontes próximas ao processo, citadas pela “Carta de Moçambique”, indicam que a Bayphase finalizou a avaliação das contas este mês, identificando cerca de três mil milhões de USD em custos válidos, durante o período em que a “força maior” esteve em vigor. Esta medida foi decretada pela petrolífera francesa na sequência do ataque terrorista ocorrido em Palma, em Março de 2021.
A auditoria da Bayphase incidiu sobre mais de 3.000 transacções e concedeu à TotalEnergies um prazo de 15 dias para responder ao relatório final. A ausência de documentos que justifiquem os valores adicionais fortalece os argumentos do Governo moçambicano, liderado por Daniel Chapo, de que os montantes apresentados podem estar inflacionados.
Impacto Financeiro e Futuro do Projeto
Em Outubro de 2025, o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, havia comunicado ao Presidente moçambicano que o projeto da Área 4 acumulou custos adicionais de 4,5 mil milhões de USD devido à suspensão. Contudo, os novos montantes exigidos pela empresa ultrapassam os cinco mil milhões de USD.
Um entendimento entre as partes é fundamental para que o Governo de Daniel Chapo possa aprovar o plano de desenvolvimento atualizado do projeto da Área 4, uma exigência legal para a continuidade do empreendimento, que foi retomado em Janeiro com o levantamento da “força maior”.
Um provável aumento nos custos do projeto resultará numa redução das receitas para Moçambique, quando o consórcio da TotalEnergies iniciar a produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bacia do Rovuma, prevista para o primeiro semestre de 2029. Os projetos de gás da Bacia do Rovuma são considerados cruciais para a transformação estrutural da economia moçambicana e o desenvolvimento do país.