Segurança Alimentar

“Dez países concentram mais de dois terços das pessoas afectadas pela fome no mundo” – revela relatório

A Rede Global Contra as Crises Alimentares, uma entidade com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou o seu décimo relatório mundial sobre a insegurança alimentar e a fome. O documento, que se baseia em dados da ONU, da União Europeia e de organizações humanitárias, revela que dez países são o epicentro de mais de dois terços das pessoas que enfrentam crises alimentares.

A Concentração da Fome Global

Entre as nações mais afectadas, destacam-se o Sudão, Sudão do Sul, Nigéria e a República Democrática do Congo (RDC). O relatório, publicado esta sexta-feira (24), indica que aproximadamente 266 milhões de pessoas, das quais mais de 35 milhões são crianças, em 47 países ou territórios, enfrentaram níveis elevados de insegurança alimentar aguda em 2025. Este número representa quase o dobro da taxa registada em 2016, com situações de fome confirmada na Faixa de Gaza e em algumas regiões do Sudão, onde cerca de 20 milhões de pessoas estão a experienciar este flagelo.

O documento enfatiza que a grave insegurança alimentar continua fortemente concentrada em dez países: Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Myanmar, Paquistão, Sudão do Sul, Síria, Iémen, Sudão e Nigéria, conforme citado pela RFI.

Impacto Específico na Nigéria e Causas Subjacentes

No que concerne à Nigéria, a Rede Global Contra as Crises Alimentares projecta que o país registará este ano um dos mais significativos aumentos da insegurança alimentar a nível mundial, com a previsão de mais de 4 milhões de pessoas adicionais a serem confrontadas com uma situação de fome aguda.

A análise das raízes do problema aponta os conflitos como o principal factor de insegurança alimentar aguda. Tanto os conflitos quanto os fenómenos climáticos extremos “correm o risco de manter ou agravar a situação em muitos países”, adverte o relatório.

Perspectivas e Recomendações Futuras

As perspectivas para 2026 são consideradas “sombrias”. O relatório alerta ainda para uma forte diminuição dos financiamentos destinados à ajuda humanitária. A guerra no Médio Oriente é identificada como um factor que poderá agravar as crises existentes, aumentando o número de deslocados numa região que já acolhe milhões de refugiados. Adicionalmente, o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via estratégica para o transporte de petróleo e seus derivados, incluindo adubos, tem provocado um aumento nos preços destes últimos, contribuindo para a crise.

Perante este cenário, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma entidade ligada à ONU, considera que “o choque alimentar actual – com o aumento dos preços da energia e dos fertilizantes – poderá ter um impacto maciço sobre a produção”. Neste sentido, o FIDA preconiza um maior apoio aos pequenos agricultores, nomeadamente através do investimento em água e culturas resistentes, como forma de mitigar os efeitos da crise.

- PUBLICIDADE -

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo
Fechar

Ops! AdBlock Detectado!

Desative o bloqueador de anúncios para continuar acessando o conteúdo do Portal Afroline. Agradecemos sua compreensão!