Ambiente

“Metade das emissões fósseis do mundo tem origem em apenas 32 empresas” – revela estudo

Um estudo recente e preocupante, o Carbon Majors, revela que a maior parte da poluição causada por combustíveis fósseis e cimento no mundo tem uma origem surpreendentemente concentrada. Apenas 32 empresas, a maioria delas estatais, são responsáveis por mais de metade das emissões globais, num cenário em que o planeta enfrenta recordes climáticos alarmantes.

Apesar dos esforços globais para reduzir os gases de efeito de estufa, a análise do Carbon Majors mostra que a poluição por combustíveis fósseis e cimento continuou a aumentar em 2024. O estudo indica que 166 produtores geraram 34.7 gigatoneladas de CO2 equivalente, um aumento de 0.8% em relação ao ano anterior. O dado mais gritante é que as 32 empresas mencionadas estiveram ligadas a mais de metade destas emissões globais. Há cinco anos, eram 38 empresas, o que mostra uma tendência de concentração crescente da produção mais poluente.

A maioria das 166 organizações analisadas são controladas pelo Estado, representando 54% das emissões globais em 2024. Já 93 empresas de capital privado foram responsáveis por 23.7%. No topo da lista, a concentração é ainda mais clara: as dez maiores emissoras, que juntas somam 27.6% das emissões globais de CO2 fóssil em 2024, são todas total ou maioritariamente detidas por governos.

Impacto Climático e Lobi

Estes números surgem num momento crítico para o clima. Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global ultrapassou 1.5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, segundo o Copernicus. No mesmo ano, as emissões globais de gases de efeito de estufa atingiram um novo máximo histórico, com as emissões de CO2 da queima de combustíveis fósseis a subir para cerca de 38.6 gigatoneladas.

Emmett Connaire, analista sénior da InfluenceMap, citou que as empresas petrolíferas e de gás têm sido, por décadas, dos grupos de pressão mais influentes e negativos para as políticas climáticas mundiais. Ele acrescenta que estas empresas desenvolveram táticas para iludir os decisores políticos e a opinião pública, fazendo campanha repetidamente contra medidas que visam uma transição energética justa.

Responsabilização e o Caminho a Seguir

Os dados do Carbon Majors estão a ser cada vez mais usados para promover a responsabilização. Por exemplo, no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, está em discussão uma legislação que pode exigir até 75 mil milhões de dólares em compensações por danos climáticos a grandes produtores de combustíveis fósseis. A senadora Liz Krueger defende que é agora possível usar os registos das empresas para determinar a quantidade de produto colocado no mercado e traduzi-la num volume de gases de efeito de estufa lançados na atmosfera.

É importante recordar que 2025 foi novamente um dos anos mais quentes de sempre, apenas ligeiramente abaixo de 2023 e 2024. Pela primeira vez na história, o planeta viveu três anos consecutivos acima do limite de 1.5 graus Celsius estabelecido pelo Acordo de Paris como o máximo a manter até ao final do século. A urgência de agir é cada vez mais evidente.

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