Saúde

Enfermeira conta quais são as 4 frases mais ouvidas momentos antes da morte

A forma como o fim da vida é retratado no cinema, com discursos dramáticos e revelações intensas, está longe da realidade observada por profissionais de saúde. Julie McFadden, uma enfermeira norte-americana com 16 anos de experiência em cuidados paliativos, tem-se dedicado a desmistificar o que realmente acontece quando alguém se aproxima da morte, oferecendo uma perspetiva mais humana e factual sobre este processo natural.

As Quatro Frases Mais Comuns Antes da Despedida

Ao longo da sua carreira, McFadden identificou quatro expressões que surgem repetidamente entre pacientes nos dias ou horas que antecedem a morte, revelando emoções profundas e a necessidade de fechar ciclos:

  • “Obrigado”: Muitos pacientes expressam gratidão aos familiares, cuidadores ou pela própria vida, num gesto de apreço pelos momentos vividos e pelo apoio recebido.
  • “Eu perdoo”: Esta frase demonstra um desejo de libertação emocional, resolvendo mágoas antigas e encontrando paz interior antes de partir.
  • “Por favor, me perdoe”: Um pedido de reconciliação, muitas vezes dirigido a pessoas específicas ou a si mesmos, procurando aliviar culpas e arrependimentos.
  • “Adeus”: Uma despedida serena e consciente, marcando o reconhecimento do fim e a aceitação do momento.

Além destas, é comum que os pacientes chamem por entes queridos já falecidos ou manifestem amor de forma tranquila, sublinhando a importância dos laços afetivos no processo de partida.

Fenómenos Inesperados Observados no Fim da Vida

A enfermeira também relata comportamentos que, embora comuns em cuidados paliativos, ainda carecem de explicações científicas definitivas. Um deles é a regressão linguística: pessoas que usaram um segundo idioma por décadas podem, de repente, voltar a falar exclusivamente a sua língua materna, incluindo dialetos há muito esquecidos. Este fenómeno sugere uma ligação profunda com as origens e a memória afetiva.

Outro desejo frequente é o de “ir para casa”. McFadden esclarece que, na maioria dos casos, esta expressão não se refere a um local físico, mas sim a uma sensação de paz, descanso ou um retorno simbólico a um estado de conforto e segurança, longe da dor e do sofrimento.

Arrependimentos Comuns nos Últimos Momentos

A convivência diária com pacientes em estado terminal permitiu a McFadden identificar padrões de arrependimento. Muitos lamentam não ter valorizado a própria saúde quando ainda desfrutavam de capacidades básicas sem dor. Entre os homens, é frequente o arrependimento de ter dedicado demasiado tempo ao trabalho, em detrimento da família e dos momentos importantes. Já entre as mulheres, surge o lamento por anos de preocupação excessiva com a imagem corporal e a aparência.

Uma Visão Mais Humana Sobre o Fim da Vida

Profissionais como Julie McFadden e a médica britânica Kathryn Mannix defendem que a morte deve ser encarada como um processo natural, marcado por reconciliações, despedidas e expressões de afeto. Esta perspetiva contrasta fortemente com o dramatismo das obras de ficção e pode ajudar tanto pacientes quanto as suas famílias a enfrentar este período com maior serenidade e compreensão. No fundo, são a gratidão, o perdão, o amor e a paz interior que muitas vezes definem os últimos momentos, tanto para quem parte quanto para quem fica.

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