Saúde

Produtores de Frangos em Tete Usam Anti-Retrovirais como Vitamina para Aves

Uma investigação profunda na província de Tete desvendou uma prática perigosa e alarmante: produtores de frangos estão a usar medicamentos anti-retrovirais (ARVs), destinados ao tratamento de pessoas com VIH/SIDA, como uma espécie de “vitamina” para engordar as aves mais rapidamente. Esta situação põe em causa a saúde pública e a eficácia de tratamentos vitais em Moçambique.

A Descoberta da Galamukani

A organização Galamukani, conhecida pelos seus trabalhos de investigação e monitoria social em províncias como Cabo Delgado e Tete, foi a responsável por trazer à luz esta prática. Segundo a pesquisa, os avicultores da região de Tete estão a recorrer a este método irregular na tentativa de acelerar o crescimento dos frangos que depois são vendidos para consumo humano.

Negócio Ilícito e Desvio de Medicamentos

A investigação da Galamukani revelou que existe um esquema de roubo e venda ilegal destes medicamentos na cidade de Tete. Alegadamente, profissionais de saúde do Sistema Nacional de Saúde estão envolvidos no desvio destes fármacos, que são depois comercializados aos produtores de frangos. Cada frasco de anti-retrovirais é vendido a preços que variam entre 150 a 250 meticais, um valor que mostra a dimensão do negócio ilícito.

Perigos para a Saúde Pública

Em conferência de imprensa, os investigadores da Galamukani, incluindo Isaías dos Anjos, que revelou a prática, alertaram para as graves consequências. “Conversámos com dois profissionais da Saúde, os quais confirmaram que, de facto, os anti-retrovirais estão a ser usados como vitamina na produção de frangos”, explicou dos Anjos.

Os especialistas sublinham que, além de retirar medicamentos essenciais a pacientes que realmente precisam deles para sobreviver, o uso indiscriminado de ARVs na alimentação animal pode criar um problema ainda maior: o desenvolvimento de resistência aos medicamentos. Isto significa que, se as pessoas consumirem frangos com resíduos de ARVs, esses medicamentos podem tornar-se menos eficazes ou mesmo inúteis quando forem necessários para tratar o VIH/SIDA em humanos.

Apelo às Autoridades

A Galamukani classificou a situação como “dramática” e instou as autoridades sanitárias e de fiscalização a agirem. Até agora, não há informações sobre quaisquer medidas tomadas para travar esta prática ilegal que ameaça a saúde de muitos moçambicanos e compromete a luta contra o VIH/SIDA no país.

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