Agricultura

Moçambique: Dados do Censo Agrícola Impulsionam o Futuro da Agricultura

A existência de dados estatísticos fiáveis é uma condição essencial para transformar a agricultura, acelerar o desenvolvimento rural e fortalecer o combate à pobreza em Moçambique. Esta foi a posição defendida pelo Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, em Maputo, durante a apresentação dos resultados finais do III Censo Agro-Pecuário (CAP 2023/24), uma operação estatística estratégica para a melhoria da planificação nacional.

Numa conjuntura marcada por desafios como a segurança alimentar, mudanças climáticas, crescimento populacional e baixa produtividade agrícola, o governante enfatizou que nenhum país alcança uma transformação económica sustentável sem um conhecimento profundo da sua realidade económica, social e territorial. O CAP 2023/24 surge, assim, como uma ferramenta de inteligência económica e territorial, concebida para apoiar a formulação de políticas públicas mais eficientes e orientadas para resultados concretos.

Censo Agro-Pecuário: Uma Ferramenta Estratégica

A agricultura permanece como um dos pilares estruturantes da economia moçambicana, desempenhando um papel decisivo na segurança alimentar, geração de emprego rural, abastecimento da agro-indústria, redução da pobreza e dinamização das exportações. Os dados produzidos pelo CAP 2023/24 são fundamentais para reforçar a qualidade da planificação e apoiar decisões públicas inteligentes, direcionando investimentos em áreas cruciais como a segurança alimentar, desenvolvimento rural e resiliência climática.

Principais Revelações e Potencial de Crescimento

Os resultados do Censo revelam que Moçambique possui cerca de 5,2 milhões de explorações agrícolas, das quais 38% são chefiadas por mulheres, evidenciando o seu papel central na produção alimentar. Adicionalmente, 99,9% destas explorações pertencem ao segmento de pequenas e médias, confirmando o peso dominante da agricultura familiar. A área cultivada no país ultrapassa os 6,5 milhões de hectares, correspondendo a aproximadamente 17,8% da terra arável disponível.

Para o Governo, estes números revelam simultaneamente desafios estruturais e um enorme potencial de crescimento. A predominância de explorações com menos de dois hectares indica limitações em mecanização, irrigação e assistência técnica, mas também demonstra que Moçambique possui uma das maiores reservas estratégicas de potencial agrícola do continente africano.

O Ministro Salim Valá sublinhou que o futuro da transformação económica nacional dependerá da capacidade de converter a agricultura de subsistência numa agricultura comercial, integrada, resiliente e orientada para a agro-industrialização. Esta operação estatística, que disponibiliza resultados oficiais e consolidados até ao nível provincial e distrital, representa um marco histórico para o Sistema Estatístico Nacional.

Os resultados do III Censo Agro-Pecuário irão alimentar diretamente instrumentos centrais da planificação nacional, como a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE 2025-2044) e o Programa Quinquenal do Governo (PQG 2025-2029). O Executivo acredita que esta nova base de evidências permitirá melhorar significativamente a monitoria e avaliação das políticas públicas.

Recursos Pecuários e Investimentos Locais

O levantamento revelou igualmente que o efetivo pecuário nacional inclui cerca de 2,4 milhões de bovinos, 4,2 milhões de caprinos e aproximadamente 16 milhões de galinhas de raça local, recursos fundamentais para a segurança alimentar e nutricional das famílias moçambicanas.

A agricultura ocupa a segunda posição entre os setores mais financiados pelo Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), representando 27,20% do total de 15.956 projetos apoiados no país. Estes investimentos têm contribuído para o surgimento de iniciativas económicas de pequena escala, lideradas por jovens e mulheres nos distritos e municípios.

Na sua mensagem final, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento reiterou que as estatísticas oficiais não são um fim em si mesmas, mas sim instrumentos estratégicos para melhorar a qualidade das políticas públicas e acelerar o desenvolvimento inclusivo e sustentável. Valá agradeceu a todos os colaboradores, destacando que o CAP 2023/24 oferece a Moçambique uma oportunidade histórica de transformar potencial em produtividade e informação em decisões que melhorem concretamente a vida dos moçambicanos.

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