Transporte

Aeronaves da LAM Retidas na África do Sul: Custos e Avarias Reveladas

Duas aeronaves Embraer 190, adquiridas pelo Governo moçambicano para as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), encontram-se imobilizadas na vizinha África do Sul há aproximadamente seis meses. A situação, inicialmente justificada por trabalhos de reestruturação estética, revela agora problemas mecânicos e elevados custos de estacionamento que já ultrapassam os 99.000 dólares americanos.

Uma investigação jornalística da STV apurou que os aparelhos, que representam um investimento estimado em cerca de 25 milhões de dólares, estão estacionados em Joanesburgo desde a sua aquisição. O Presidente do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), que integra a comissão de gestão da LAM, confirmou a permanência, explicando que os aviões passavam por um processo de pintura para a nova imagem da companhia. No entanto, esta justificação contrasta com informações subsequentes sobre avarias detetadas.

Custos Elevados de Estacionamento e Manutenção

A paragem prolongada das aeronaves acarreta custos financeiros significativos para a companhia. Cálculos baseados em dados técnicos indicam que o estacionamento de cada Embraer 190 na África do Sul custa entre 250 e 300 dólares diários. Assim, em seis meses, as taxas de estacionamento para ambas as aeronaves já excedem os 99.000 dólares americanos, o equivalente a mais de seis milhões de meticais, sem incluir despesas de manutenção ou assistência técnica.

Avarias Mecânicas e Bloqueio da Embraer

Fontes ligadas à direção técnica da LAM revelaram que, durante a permanência na África do Sul, foram identificadas avarias mecânicas preocupantes nos aparelhos, como a falta de óleos específicos e a necessidade urgente de substituição de componentes estruturais. Adicionalmente, a fabricante brasileira Embraer recusou integrar a LAM nos seus programas oficiais de assistência técnica e fornecimento direto, devido a um bloqueio comercial e de crédito.

Esta recusa impede a companhia moçambicana de adquirir peças originais diretamente, obrigando-a a procurar soluções num mercado paralelo. A escassez e a dificuldade em encontrar os componentes necessários neste mercado alternativo agravam ainda mais a situação, comprometendo a operacionalidade e a segurança das aeronaves e atrasando a sua integração efetiva na frota.

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