Transportes

Transportadores da Matola Cobram Transparência em Subsídios e Taxas

Operadores de transporte semicolectivo de passageiros na Matola manifestam profundo descontentamento, denunciando alegada exclusão no acesso aos subsídios governamentais destinados a mitigar o impacto da crise de combustíveis, bem como a falta de transparência na gestão das contribuições diárias pagas às associações do setor.

Denúncias de Exclusão e Favorecimento

Os transportadores, que operam em diversas rotas do município da Matola, afirmam que, apesar de contribuírem regularmente para as associações filiadas à Federação Moçambicana de Transportadores Rodoviários (FEMATRO), não têm sido contemplados nos mecanismos de compensação anunciados pelo Governo. As reclamações estendem-se a alegados esquemas de favorecimento, com operadores a acusar as lideranças de privilegiarem grupos restritos na seleção dos beneficiários dos apoios.

“Há um grupinho que eles escolhem entre eles, os chefes, então metem os carros. Alguns até metem carros que nem estão aqui a trabalhar, mas foram tratar licença e metem os carros como se estivessem a trabalhar”, denunciou o transportador Timóteo, sublinhando irregularidades no processo.

Questão das Taxas Diárias e Falta de Retorno

A insatisfação dos operadores agrava-se com a cobrança de taxas diárias pelas associações, cujo retorno e aplicação permanecem obscuros. Muitos transportadores afirmam que, ao longo de anos de atividade e contribuições, nunca receberam benefícios diretos.

Américo Tembe questionou: “Se fizermos um cálculo simples, por exemplo, de dois mil carros a fazer uma contribuição diária, podemos ter mensalmente perto de três milhões de meticais. Onde é que está a ir esse dinheiro?” Jorge Oliveira, com mais de 30 anos de experiência, reforçou: “Sou transportador há mais de 30 anos, contribuo com essas taxas, mas nunca tive nenhum benefício”.

Exigência de Transparência e Ameaça de Ação Legal

Os queixosos exigem maior transparência na gestão dos recursos e admitem recorrer aos tribunais para exigir esclarecimentos. Jacinto Morais, outro operador, declarou: “Nós vamos levar a barra ao tribunal. Ele vai nos pagar o dinheiro que andou a recolher do nosso”, manifestando igualmente descontentamento com a permanência prolongada de algumas lideranças nas organizações.

Resposta das Associações e FEMATRO

Em resposta às acusações, as associações rejeitam categoricamente qualquer irregularidade. António Bambo, da Associação ULTRAMAP, esclareceu que as contribuições se destinam ao funcionamento administrativo das instituições, que incluem salários de trabalhadores, aluguel de edifícios e outras despesas internas. As organizações afirmam estar abertas ao diálogo, mas consideram que algumas críticas resultam de falta de informação ou de tentativas de descredibilização.

A FEMATRO, por sua vez, entende que a situação decorre de falhas de comunicação e garante que está a orientar os transportadores sobre a regularização documental necessária para aceder aos subsídios. O vice-presidente da federação, Alexandre Gove, explicou que já foram dadas orientações às associações para reunirem com os proprietários das viaturas, informando-os sobre o processo e os documentos exigidos. Contudo, a federação admite ainda não possuir um levantamento definitivo do número de operadores que beneficiarão dos apoios, embora assegure que não haverá injustiças na implementação das compensações.

Durante a recolha de informações, foi ainda registada a entrega de uma intimação a um dos transportadores contestatários, alegadamente por promoção de conflitos no setor.

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