Pólitica

Líder da ND Critica Governos por Sofrimento de Moçambicanos na África do Sul

O líder da Nova Democracia (ND), Salomão Muchanga, lançou duras críticas aos governos de Moçambique, liderado por Daniel Chapo, e da África do Sul, sob a presidência de Cyril Ramaphosa, acusando-os de negligência na proteção dos cidadãos moçambicanos que residem em território sul-africano. A declaração surge num contexto de recrudescimento da violência e sentimentos xenófobos contra imigrantes naquele país.

Em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, 7 de maio, Muchanga revelou ter interrompido a sua lua-de-mel para abordar o que classificou de “sofrimento intolerável” dos moçambicanos. Ele descreveu a xenofobia como um “atentado brutal e intolerável” que viola direitos fundamentais e representa uma “traição histórica” aos ideais de unidade africana, construídos sobre a resistência e solidariedade.

Responsabilidade do Estado Moçambicano

Salomão Muchanga não poupou o Estado moçambicano, atribuindo-lhe uma culpa indireta pelo drama dos emigrantes. Segundo o líder da ND, os sucessivos governos falharam em criar condições económicas e sociais que permitissem aos cidadãos encontrar oportunidades dentro do próprio país. “Há 50 anos que este regime falha em criar condições mínimas de proteção e segurança ao seu povo”, criticou.

O desemprego generalizado, a restrição do mercado, a “captura do Estado” por interesses políticos e o saque dos recursos nacionais são, na sua visão, os principais fatores que impulsionam milhares de moçambicanos a procurar sobrevivência na África do Sul, mesmo em condições precárias. Muchanga lamentou que moçambicanos sejam forçados a “sofrer e humilhar-se na África do Sul” porque a situação em Moçambique é percebida como ainda pior.

Ressentimentos Históricos e o Acordo de Nkomati

Um dos pontos mais sensíveis da conferência foi a análise da relação histórica entre o African National Congress (ANC) e a FRELIMO. Muchanga sugeriu que existem setores dentro do ANC que ainda guardam ressentimentos contra Moçambique devido ao Acordo de Nkomati. Este acordo, assinado na década de 1980 entre o governo moçambicano e o regime do apartheid sul-africano, resultou na expulsão de vários dirigentes do ANC refugiados em Moçambique.

“O ANC nunca perdoou a FRELIMO pelo Acordo de Nkomati. Nunca”, afirmou Muchanga, defendendo que este ressentimento histórico contribui para um ambiente de desdém contra os cidadãos moçambicanos na África do Sul.

Críticas à Subida dos Combustíveis e Apelo Urgente

Questionado sobre o recente aumento dos preços dos combustíveis em Moçambique, Muchanga classificou a medida como “insustentável” e acusou o Governo de estar alheio à realidade social da população. Ele advertiu que o aumento terá um impacto direto no custo de vida, afetando os preços dos alimentos e dos transportes, e criticou a alegada desconexão dos dirigentes governamentais com as dificuldades diárias dos cidadãos.

No encerramento da conferência, a Nova Democracia lançou um apelo urgente aos governos sul-africano e moçambicano, bem como a organizações regionais e internacionais, para que atuem “com urgência e firmeza” na proteção dos imigrantes africanos. Salomão Muchanga reiterou o compromisso do seu partido em lutar ao lado do povo moçambicano até que a esperança seja restaurada no país.

- PUBLICIDADE -

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo
Fechar

Ops! AdBlock Detectado!

Desative o bloqueador de anúncios para continuar acessando o conteúdo do Portal Afroline. Agradecemos sua compreensão!