Cultura

Livro e Leitura: Ferramentas Essenciais em Tempos de Crise em Moçambique

O Dia Mundial do Livro, celebrado anualmente em abril, convida à reflexão sobre a importância desta ferramenta crucial para o desenvolvimento intelectual e a emancipação social. Em Moçambique, onde o hábito da leitura enfrenta desafios, o livro emerge como uma arma poderosa para a construção de indivíduos capazes de reflexão, crítica e com uma cosmovisão abrangente.

A Evolução da Escrita e a Universalização do Saber

Historicamente, a escrita evoluiu das gravuras rupestres e inscrições em papiro até o advento da imprensa. Esta transição marcou a passagem segura da oralidade para o registo escrito, sem, contudo, desvalorizar a riqueza da transmissão oral do conhecimento. Este processo culminou na universalização e globalização do saber, tornando-o acessível a todos.

Ao longo da história, o saber e o pensamento foram frequentemente combatidos por poderes e grupos de interesse. Na Idade Média, por exemplo, a ciência muitas vezes cedeu à supremacia da religião, com grande parte do conhecimento sendo preservado em mosteiros para evitar sua destruição. Foi nesta época que surgiu a preocupação em conservar o saber em grandes obras, que mais tarde inspiraram as enciclopédias de Denis Diderot e D’Alembert.

O Livro como Tesouro da Humanidade

O livro é, sem dúvida, uma das maiores riquezas da humanidade. Através dele, abrem-se portas para a partilha do conhecimento, para a crítica elaborada e para o debate de ideias. O livro e o conhecimento unem-se numa simbiose que promove a emancipação, a comunhão e a discussão construtiva, elevando a compreensão do universo e das relações humanas.

Desafios e Esperança na Era Contemporânea

Embora vivamos uma efervescência na produção literária e uma sede por novos saberes, nota-se, concomitantemente, um recrudescimento da censura e um controlo exacerbado sobre o que se escreve, quem escreve e para quem se escreve, asfixiando muitas editoras independentes.

Contudo, em Moçambique, existem exemplos inspiradores que mantêm viva a chama da leitura. Espaços como o jornal online “A Carta de Moçambique”, editoras como a “Thale Publishing” e iniciativas como a biblioteca móvel da “Avó Cecília” demonstram um esforço notável em democratizar o acesso ao saber e ao pensamento crítico, superando um ambiente muitas vezes adverso.

A Urgência de Fomentar a Leitura em Moçambique

Celebrar o livro é um convite a repensar seu papel e a promover mais espaços de leitura, formais e informais. É uma ocasião para celebrar a ainda incipiente produção literária moçambicana e, principalmente, incentivar crianças e jovens a tornarem-se os futuros Craveirinhas, Noemias, Mias e outros grandes nomes da nossa nação.

Vivemos tempos de crise, evidenciados por um acentuado decréscimo da leitura entre a camada mais jovem. A falta de leitura diminui a capacidade de pensar criticamente a realidade, reduzindo-nos a indivíduos acríticos e sem valor agregado. Empobrece a nossa capacidade de contribuir para o desenvolvimento de Moçambique e de transformar o país numa referência na produção de saberes e no registo da nossa rica história. Como disse Voltaire, “A leitura engrandece a alma”, e para alimentar a alma moçambicana, precisamos de mais incentivo e estímulos para ler e melhorar o nosso esclarecimento.

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