Saúde

Governo associa “colapso” do sistema de saúde nacional à queda da ajuda externa

O Governo de Moçambique veio a público associar a crescente pressão sobre o sistema nacional de saúde à diminuição significativa da ajuda financeira externa. A revelação aponta para uma redução drástica no apoio destinado à aquisição de medicamentos, o que coloca em risco a capacidade de resposta sanitária do país.

Financiamento Externo em Queda Livre

O Ministro da Saúde, Ussene Isse, informou na Assembleia da República que o financiamento de parceiros internacionais para a compra de medicamentos em Moçambique sofreu uma queda impressionante de 70,5% em 2025, comparativamente ao ano anterior. Esta descida abrupta representa um sério revés para o setor.

Em 2024, o setor da saúde recebeu cerca de 5,7 milhões de meticais (equivalente a 89,5 mil dólares) de fontes externas para a aquisição de fármacos. No entanto, em 2025, o financiamento total para medicamentos, somando o Orçamento do Estado (OE) e as doações, atingiu 20,2 milhões de meticais, um valor ligeiramente inferior aos 20,8 milhões registados em 2024, evidenciando que a queda na ajuda externa não foi totalmente compensada.

O Desafio de Sustentar o Sistema

Questionado sobre esta situação, o Ministro Isse expressou a sua preocupação, indagando: “Como é que um Estado pode aguentar perante estes cortes tão brutos, tão rápidos?”. Apesar do cenário, o governante assegurou que o Governo continua a reforçar o investimento no setor da saúde através do Orçamento do Estado, mas admitiu que “a lacuna é grande” face à dimensão das necessidades.

Roubo de Medicamentos Agrava a Crise

Além da redução da ajuda externa, o Ministro alertou que o problema é agravado pelo roubo de medicamentos na cadeia de distribuição. Esta prática ilícita compromete ainda mais a disponibilidade de fármacos essenciais para a população, somando-se aos desafios financeiros.

Entre 2022 e 2025, a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (ANARME) realizou um total de 1650 inspeções para combater estas irregularidades. As fiscalizações abrangeram 273 unidades do setor público, 1211 do setor privado e 166 em mercados informais e outros estabelecimentos, numa tentativa de controlar e minimizar as perdas.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo
Fechar

Ops! AdBlock Detectado!

Desative o bloqueador de anúncios para continuar acessando o conteúdo do Portal Afroline. Agradecemos sua compreensão!