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Jornalista da TV Sucesso na mira do cano, após abalar instituição do Estado

A integridade física de jornalistas em Moçambique volta a ser alvo de preocupação, com a repórter Cauage Simbe, da TV Sucesso, a denunciar ameaças de morte. A situação surge na sequência das suas reportagens sobre alegadas irregularidades em instituições do Estado.

As Denúncias de Cauage Simbe

Cauage Simbe partilhou a sua experiência na sua página de Facebook no último sábado, revelando que as ameaças estão directamente ligadas à sua cobertura jornalística de “cancros malignos” na função pública. Ela salientou que silenciar os críticos não resolve os problemas estruturais que afetam o país.

Nos últimos tempos, a jornalista tem vindo a expor uma série de situações problemáticas no Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO). Entre as questões levantadas incluem-se a demora excessiva na emissão de cartas de condução definitivas, a alegada falta de canalização de fundos para os cofres do Estado, e a má qualidade das cartas provisórias, que chegam a ser meras folhas de resma recortadas.

Simbe também questionou os interesses obscuros por trás dos negócios de impressão de documentos, sugerindo que impedem a unificação de dados da carta de condução e do bilhete de identidade num único cartão. As suas reportagens também abordaram a qualidade das obras rodoviárias, o que impacta directamente o Ministério dos Transportes e Logística, entidade à qual o INATRO está subordinado.

Apesar das intimidações, Cauage Simbe reafirmou o seu compromisso com a verdade e com o seu trabalho. “Podem me intimidar hoje, amanhã sempre virá alguém com mais força para dar continuidade… Luto por um país melhor”, declarou, sublinhando que a luta contra a corrupção e pela liberdade de expressão não se inicia nem termina com ela.

Precedente Preocupante: O Caso Carlitos Cadangue

Esta denúncia de Cauage Simbe surge pouco tempo depois de um incidente grave envolvendo outro jornalista moçambicano. Na noite de 4 de Fevereiro, Carlitos Cadangue, do grupo Soico, escapou por pouco a uma tentativa de assassinato na cidade de Chimoio, província de Manica.

Cadangue e o seu filho mais velho foram surpreendidos por indivíduos armados, vestidos com fardamento conhecido como “pingos de chuva”, que dispararam contra a viatura em que seguiam. Felizmente, ninguém foi atingido. As reportagens de Cadangue sobre a exploração mineira desenfreada na província, que levou o Governo central a suspender a actividade, terão afectado interesses de pessoas “bem posicionadas”. O jornalista tinha sido previamente avisado sobre planos para o silenciar.

Após o incidente, várias entidades emitiram notas de repúdio, e a Polícia da República de Moçambique (PRM) prometeu investigar o caso e responsabilizar os culpados.

Estes episódios recentes sublinham a crescente preocupação com a segurança dos profissionais da comunicação social em Moçambique e a importância da defesa da liberdade de imprensa no país.

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