Standard Bank alerta para crescimento económico abaixo de 1,1% em 2026 e recuperação lenta da economia moçambicana

O Standard Bank realizou recentemente, na cidade de Maputo, a vigésima segunda edição do seu Economic Briefing, um evento crucial para partilhar com clientes e a sociedade em geral as perspetivas sobre a evolução da economia nacional e internacional. As projeções apresentadas indicam um cenário desafiador para Moçambique, com um risco acrescido de o crescimento económico ficar abaixo de 1,1% em 2026, após uma contração de 0,5% prevista para 2025, sinalizando uma recuperação lenta.
Crescimento Económico e Desafios
De acordo com os dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto (PIB) nominal de Moçambique em 2025 é estimado em 1.431,6 biliões de meticais, equivalente a aproximadamente 22,4 biliões de dólares norte-americanos. Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank, destacou que este valor se traduz num PIB per capita de apenas 657 dólares.
Mussá previu que, após uma recuperação no último trimestre de 2025, o crescimento do PIB poderá tornar-se negativo no segundo trimestre de 2026. Esta projeção deve-se a vários fatores, incluindo o impacto da paralisação da Mozal, a materialização de riscos climáticos desde o início do ano, pressões fiscais recorrentes, desequilíbrios entre a oferta e a procura de moeda externa, e episódios de oferta intermitente de combustíveis.
A inflação homóloga em Moçambique também deverá sentir o impacto do choque global de oferta, provocado pelo conflito no Médio Oriente, que tem reduzido a oferta global de petróleo e aumentado o preço do crude. Estima-se que a inflação suba de 3,2% no final de 2025 para 6,4% em dezembro de 2026. Diante destas “adversidades”, o economista-chefe sublinhou a necessidade de respostas adequadas em termos de políticas económicas e reformas para garantir a estabilidade macroeconómica e social.
Infraestruturas e Oportunidades de Crescimento
Um ponto crucial abordado foi a vulnerabilidade do País aos eventos climáticos adversos na ausência de um desenvolvimento adequado de infraestruturas, tornando Moçambique menos atrativo ao investimento privado.
Contrariando o pessimismo, Bernardo Aparício, administrador-delegado do Standard Bank, expressou otimismo quanto ao futuro. Ele acredita que Moçambique tem inúmeras oportunidades para retomar um crescimento na ordem dos 10%, especialmente à medida que os grandes projetos estruturantes avançam na implementação e começam a gerar efeitos positivos na economia. “Há uma luz ao fundo do túnel e estamos cada vez mais perto de voltar aos níveis de crescimento que tivemos no passado em Moçambique. A expectativa é que, a partir de 2028, possamos regressar a crescimentos de 10%. Quem tem uma visão de longo prazo, esta é a altura de começar a fechar acordos e de planear investimentos”, afirmou Aparício, encorajando o investimento a longo prazo.
Debates e Consenso sobre o Futuro
O evento, sob o lema “Perspetivas Económicas para 2026: Moçambique e o Contexto Internacional”, incluiu dois painéis de debate: “A Retoma dos Projectos de Petróleo e Gás” e “Investimento em Infra-estruturas”. Participaram como painelistas figuras proeminentes como Fernando Ouana, Carlos Yum, Nelson Cossa, Florival Mucave, Rômulo Cunha Corrêa e Marica Calabrese.
Os painelistas convergiram na necessidade de um maior investimento em infraestruturas, com foco na sua ligação às áreas produtivas, e na importância de um envolvimento mais ativo do setor privado no ecossistema das multinacionais, em particular no Gás Natural Liquefeito (GNL). As discussões destacaram os desafios atuais, identificaram oportunidades e partilharam perspetivas práticas para o desenvolvimento da capacidade produtiva e a dinamização do tecido empresarial, sublinhando a importância de uma abordagem integrada entre os setores público e privado, com ênfase em soluções inovadoras, financiamento adequado e um ambiente de negócios favorável.
O Economic Briefing do Standard Bank reforçou-se como uma plataforma essencial para o diálogo sobre os desafios e oportunidades que moldam a economia moçambicana, contando com a participação de clientes do banco, diplomatas, membros do Governo e representantes de associações empresariais.