Saúde

Vandalização ligada a boatos sobre cólera leva a detenções em Metuge

A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve dois indivíduos em Metuge, província de Cabo Delgado, suspeitos de estarem envolvidos na vandalização de um centro de saúde e de residências de líderes comunitários. Os incidentes, que ocorreram em meio a rumores sobre a cólera, geraram forte tensão nas comunidades de Nanlia e Ntocota.

Detalhes dos Incidentes e Motivação

Os atos de vandalismo aconteceram nos dias 10 e 11 de dezembro, visando o centro de saúde de Nanlia, onde uma tenda que acolhia pacientes foi incendiada e infraestruturas danificadas. Adicionalmente, cinco residências pertencentes a líderes comunitários foram destruídas. Segundo a PRM, os ataques foram impulsionados por boatos de que profissionais de saúde e líderes estariam a propagar a doença.

A porta-voz da PRM em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, confirmou que os processos dos detidos já foram encaminhados ao Ministério Público para os procedimentos legais. Um dos suspeitos, no entanto, nega a sua participação, alegando ser vítima de perseguição comunitária baseada em informações falsas sobre a cólera.

Contexto da Cólera e Ação das Autoridades

As comunidades de Nanlia e Ntocota já registavam sinais de tensão desde o dia 26 de novembro, após a morte de uma criança ter sido falsamente associada à cólera, sem qualquer confirmação médica. O distrito de Metuge enfrenta um surto ativo da doença desde o final de novembro, com 40 casos confirmados, dois óbitos e 34 pacientes recuperados.

Para garantir a segurança e a continuidade dos serviços, a PRM destacou uma força operativa para proteger as unidades sanitárias, os profissionais de saúde e as lideranças comunitárias. A intervenção rápida da polícia foi crucial para evitar confrontos físicos, mais destruição de infraestruturas e possíveis agressões.

Apelo à População

As autoridades moçambicanas apelam à população para que evite a disseminação de boatos e desinformação. É fundamental colaborar com os serviços de saúde, adotar medidas de prevenção como o consumo de água tratada, praticar uma higiene adequada e garantir o saneamento do meio, bem como confiar nas instituições de saúde para informações fiáveis e tratamento.

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