Justiça

“Arrancaram vidas e fingem que nada aconteceu”: o desabafo duro de Selma Inocência

A jornalista Selma Inocência, ela própria vítima de um ataque violento, fez um desabafo contundente contra a prática de “arrancar vidas” em Moçambique e a subsequente impunidade, sublinhando os impactos devastadores nas famílias e na coesão social do país.

Numa declaração emotiva, Inocência realçou que o recurso à eliminação de vidas para resolver conflitos vai além do contexto de manifestações, provocando feridas profundas e duradouras. Segundo ela, tais ações “geram feridas, plantam dores intermináveis e destroem a coesão social”, um cenário que exige atenção urgente.

O Peso da Violência e a Luta Pessoal

Selma Inocência destacou que, embora falar sobre o tema possa parecer exaustivo para quem vive uma rotina estável, torna-se uma necessidade vital para aqueles que enfrentam o luto ou as consequências físicas e emocionais da violência. “Queria eu poder abordar outros assuntos nas minhas redes, mas todos os dias vivo este dilema que preferimos esconder ou fingir que não existe”, confessou a jornalista.

Ela recordou ter sido alvo de um ataque “deliberado e cobarde” há nove meses. Desde então, continua em tratamento e lida com limitações de mobilidade devido a uma deficiência adquirida, cuja duração ainda é incerta. “Não consigo andar com as minhas próprias pernas. Isto é inaceitável”, afirmou, expressando a sua frustração e dor.

Apelo à Dignidade e aos Valores Moçambicanos

A jornalista criticou veementemente a ausência de acompanhamento às vítimas e sobreviventes, bem como a ignorância perante a perda de centenas de vidas. “É inaceitável arrancarmos vidas e abandonarmos aqueles que hoje vivem com limitações, fingindo que nada aconteceu. Esses não são valores moçambicanos, africanos”, frisou Selma, apelando à recuperação da ética e humanidade.

Selma Inocência agradeceu publicamente as recentes declarações de Graça Machel, que descreveu como um “bálsamo” num período de grande sofrimento e desamparo. “Obrigada, Mamã Graça Machel. As suas palavras surgem como um bálsamo de que ainda existem valores na nossa pátria”, disse, reconhecendo o apoio moral.

A sua mensagem terminou com um reforço da dignidade e pertença das vítimas à nação: “Nós também somos moçambicanos. Nossos pais também contribuíram para a construção do país. Merecemos viver — e viver com dignidade e respeito.”

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