Homens reflectem sobre violência contra a mulher

Em Maputo, homens de várias áreas juntaram-se num debate importante para falar sobre o papel que têm na promoção da igualdade entre homens e mulheres e na prevenção da violência. O encontro teve como objetivo principal fazer com que todos pensem de forma crítica e dialoguem para construir uma sociedade mais inclusiva em Moçambique.

A Necessidade de Envolvimento Coletivo
Durante as discussões, foram identificadas barreiras culturais e institucionais que dificultam o avanço nesta área. Para ultrapassá-las, é preciso que todos se comprometam a criar uma sociedade mais justa e igualitária.

O Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, defendeu que, para além de palestras e sensibilização, as instituições devem agir de forma proativa para envolver e apoiar a emancipação das mulheres em todas as áreas da vida. Ele frisou que a violência contra a mulher afeta toda a sociedade, incluindo as famílias das vítimas e até mesmo as dos agressores, e por isso não deve ser ignorada.
Manhique alertou ainda que não podemos achar que a violência é normal e criticou o facto de muitas ações se limitarem a encontros e palestras, que, embora importantes, são insuficientes para resolver um problema tão grave. Para ele, só com um esforço conjunto será possível construir uma cidade onde não haja violência nem agressões.
Educação e Cultura como Pilares da Mudança
O conhecido músico Stewart Sukuma trouxe para a discussão a necessidade de mudar o nosso sistema de ensino. Na sua opinião, o modelo atual já não se encaixa nas exigências do mundo moderno, que está cada vez mais conectado e com acesso rápido à informação.
Sukuma lamentou que disciplinas importantes para a formação humana, como ética, cidadania e relações interpessoais, sejam desvalorizadas. Para ele, esta desvalorização contribui para a falta de humanismo nas relações, especialmente contra as mulheres, que continuam a ser vistas como menos importantes na educação dos jovens.
O artista também destacou o papel dos criadores culturais, como músicos e artistas plásticos, na sociedade. Ele defendeu que é preciso haver mais coerência entre o que se diz e o que se faz nas campanhas sociais. Sugeriu que os artistas deveriam ser melhor preparados antes de participarem em ações de sensibilização para garantir que o seu trabalho tenha um impacto real nas comunidades.
Além disso, Stewart Sukuma recordou a importância de resgatar o espírito de união comunitária que existia no passado, onde as pessoas participavam ativamente em espaços de aprendizagem e partilha. Em relação à igualdade de género, ele defendeu que as mulheres devem ter condições para se desenvolverem plenamente e serem reconhecidas pelo seu mérito, sem que a sua inclusão seja apenas uma obrigação.
O Papel Ativo dos Homens no Combate à Violência
Whitney Sabimo, ativista social, realçou que é fundamental começar a discutir a mudança de comportamento dos homens. Ela acredita que a situação só vai mudar de verdade quando os próprios homens começarem a denunciar os atos de violência e se posicionarem ativamente na luta contra este problema, seja através de projetos, nas artes ou na música.
Para Sabimo, é preciso que os homens, especialmente os artistas, se envolvam diariamente nesta causa, mostrando que estão do lado da mudança e que querem uma sociedade sem violência.



