Economia

Insegurança compromete horário flexível no comércio

Apesar das boas intenções do Governo moçambicano em flexibilizar os horários de funcionamento do comércio, uma medida anunciada há quase um ano como parte do Pacote de Recuperação Económica, a realidade no terreno mostra que a iniciativa não pegou. A maioria dos estabelecimentos comerciais continua a operar nos horários tradicionais, frustrando o objetivo de reanimar um sector duramente atingido.

Esta medida surgiu na sequência das manifestações pós-eleitorais de 2024, que causaram estragos significativos, especialmente no sector do comércio. Mais de mil estabelecimentos foram vandalizados ou destruídos, resultando em prejuízos de cerca de 32.2 mil milhões de Meticais e deixando perto de 50 mil pessoas sem emprego. Para contrariar este cenário, o Executivo eliminou as restrições de horário, permitindo que os operadores definissem os seus próprios períodos de funcionamento, desde que respeitassem a legislação laboral e informassem as autoridades.

Os Entraves: Custos e Insegurança

Contudo, um levantamento recente realizado nas cidades de Maputo e Matola revela uma adesão muito limitada a esta flexibilização. Os principais fatores que impedem a sua materialização são os custos adicionais e a insegurança crescente, entre outras dificuldades.

Os operadores económicos, ainda a recuperar dos prejuízos causados pelas manifestações, afirmam que a prioridade é a sustentabilidade dos seus negócios. Um gerente de supermercado na Matola explicou que, na prática, a medida não trouxe mudanças. “Para alargar o horário, teríamos de contratar mais pessoas ou pagar horas extraordinárias. Isso implica mais salários e despesas. No actual contexto, as vendas não compensam esse investimento”, referiu, sublinhando que o estabelecimento já opera em dois turnos, das 7h30 às 20h, com mais de dez trabalhadores.

A insegurança é outro fator crítico. Operar em horários noturnos, especialmente em certas zonas, aumenta os riscos de assaltos e vandalismo, o que desincentiva os comerciantes a estenderem as suas atividades. A falta de um ambiente seguro para clientes e trabalhadores, aliada à necessidade de investir em segurança adicional, torna a flexibilização economicamente inviável para muitos.

Assim, apesar de ser uma ferramenta pensada para impulsionar a economia e o volume de negócios, a flexibilização dos horários no comércio em Moçambique continua a ser um desafio, esbarrando na realidade económica e de segurança que os empresários enfrentam diariamente.

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