Moçambique importa gasolina e gasóleo a preço mais baixo do que em 2022

O Governo moçambicano, sob a liderança de Daniel Chapo, decidiu manter inalterados os preços dos combustíveis, uma posição firme face às pressões das companhias petrolíferas. Esta decisão baseia-se na constatação de que os custos de importação da gasolina e do gasóleo continuam a ser mais baixos do que os registados em 2022, período em que os preços dispararam no país.
Preços Atuais e Manutenção
Para o próximo mês, os preços praticados nas bombas de combustíveis localizadas em cidades com terminais oceânicos serão de 83,57 Meticais por litro para a gasolina, 79,88 Meticais por litro para o gasóleo, 66,86 Meticais por litro para o petróleo de iluminação e 86,05 Meticais por quilograma para o gás de cozinha.
Diferença nos Custos de Importação
Apesar das recentes oscilações no preço do barril de crude, em consequência da 4ª guerra do Golfo, que tem variado entre 70 e 110 dólares norte-americanos, a decisão do Executivo deve-se ao facto de o custo de importação ainda estar indexado ao preço de 120 dólares norte-americanos de 2022 e 2023, período que coincidiu com o início da invasão da Rússia à Ucrânia. É importante notar que, desde então, os custos de importação reduziram quase 50 por cento, uma descida que não se refletiu nos preços finais para os consumidores.
Dados fornecidos pela Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) revelam que, em agosto de 2022, o Custo, Seguro e Frete (CIF) por tonelada de gasolina atingiu um pico de 1.402,28 dólares norte-americanos, e o gasóleo 1.314,30 dólares. Comparativamente, em fevereiro de 2026, a tonelada CIF de gasolina foi importada por 717,73 dólares e a de gasóleo por 691,10 dólares. Em março do mesmo ano, os valores foram de 732,77 dólares para a gasolina e 704,04 dólares para o gasóleo, evidenciando uma redução substancial nos custos de aquisição.
Confronto com as Gasolineiras
Perante estes dados, a narrativa das gasolineiras, que alegam a necessidade de uma revisão em alta dos preços dos combustíveis desde março, é desmentida. As acusações de que as companhias reduziram propositadamente a distribuição de gasolina e gasóleo aos postos de abastecimento, como forma de pressão, são infundadas, considerando a diminuição dos custos de importação.
Embora a legislação moçambicana estabeleça que os preços dos combustíveis devem ser atualizados sempre que o “Custo Base respetivo mostre, face ao Custo Base em vigor na data de cálculo, uma variação superior a 3 por cento”, o Governo não tem refletido para os cidadãos esta significativa redução nos custos de importação.



