Moçambicano desaparece na África do Sul após ser torturado e sequestrado pelo patrão

Um cidadão moçambicano, José Simbine, encontra-se desaparecido há quase duas semanas na África do Sul, depois de ter sido brutalmente torturado e sequestrado, alegadamente pelo seu próprio patrão. A família, em desespero, denuncia a inércia das autoridades sul-africanas e clama por justiça para o caso chocante.

O Chocante Desaparecimento
O incidente ocorreu na madrugada de 7 de Março, na cidade de Thembisa. José Simbine, que trabalhava para um cidadão local, foi acusado de ter retirado 500 rands do local de trabalho. Em vez de recorrer às vias legais, o patrão e outros indivíduos decidiram fazer “justiça pelas próprias mãos”.

Imagens de câmaras de vigilância terão captado o momento em que o moçambicano foi revistado, espancado e submetido a tortura extrema. A família, visivelmente abalada, relata que José foi agredido, ferido e até lhe colocaram piripiri nas feridas. A violência, contudo, não parou por aí.
O grupo levou a vítima até à sua residência, onde arrombaram a porta e aterrorizaram a esposa de José em plena madrugada. Após revirar a casa em busca de dinheiro sem sucesso, levaram uma nota de 100 meticais, telemóveis e computadores. José Simbine foi novamente levado à força e, desde então, nunca mais foi visto.
Desespero da Família e Inércia Judicial
A família de José, que se deslocou à África do Sul para procurar o ente querido, abriu um processo criminal a 11 de Março. Dias depois, três suspeitos, incluindo o patrão, foram detidos. Contudo, o que se seguiu lançou ainda mais dúvidas e desespero.
“No mesmo dia em que foram ao tribunal, foram soltos. Até hoje não sabemos como isso aconteceu. Ninguém nos explicou nada, ninguém nos chamou sequer para ouvir o nosso depoimento”, denuncia o irmão da vítima. A família sente-se completamente abandonada, sendo “empurrada de um lado para o outro” pelas autoridades sul-africanas, sem qualquer informação concreta sobre o andamento do caso.
Os familiares já procuraram José em hospitais e casas mortuárias, mas sem sucesso: “Não há sinal dele, nem vivo, nem morto”, desabafa um membro da família. Para agravar a situação, o tribunal agendou uma nova audiência apenas para Agosto, uma decisão que revolta os familiares, que questionam a possibilidade de esperar tanto tempo sem saber o paradeiro de José.
Apelo por Ajuda
A família tentou novamente obter esclarecimentos junto da polícia, mas foi informada de que o detective responsável pelo caso está de baixa médica, o que, na prática, paralisou o processo. A soltura dos indiciados, o silêncio das autoridades e a aparente falta de urgência num caso que envolve sequestro, tortura e desaparecimento estão a gerar indignação.
Perante este cenário, a família apela agora à intervenção de entidades moçambicanas e organizações de direitos humanos, temendo que o caso caia no esquecimento. “Só queremos saber onde está o nosso irmão. Vivo ou morto. Mas queremos respostas”, conclui a família, em desespero, enquanto as autoridades sul-africanas ainda não emitiram qualquer posicionamento oficial sobre o desaparecimento de José Simbine.



